9 de junho de 2018

A relação entre Camilo e o PT por Henrique Araújo


O governador do Ceará Camilo Santana (PT) faltou a todos os eventos de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula à Presidência até agora. Primeiro, no Ceará, duas semanas atrás, quando trocou a agenda do partido por uma caravana no Cariri ao lado dos irmãos Ferreira Gomes. Lá, falou sobre realizações do Estado e subiu no pau de Santo Antônio, cuja festa se realizava naquele fim de semana.

A segunda falta de Camilo foi ontem, em Minas Gerais, onde se reuniram lideranças da sigla para o anúncio oficial de Lula como postulante da legenda ao Planalto.

Entre os governadores petistas, Camilo foi o único ausente. Estava em Russas, no interior do Ceará, inaugurando um campinho de futebol ao lado do deputado federal Genecias Noronha (SD). Aliado de última hora do Palácio da Abolição, o parlamentar votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e contra as duas denúncias que tinham Michel Temer como alvo – as acusações acabariam barradas pela Câmara dos Deputados.

Camilo tem sinalizado que está disposto a deixar de lado resoluções do partido para não contrariar interesses do grupo ao qual é ligado. Dentro do PT, há hoje um cisma incontornável que até pode se transformar em fratura durante a campanha eleitoral, mas que, por enquanto, não tem impedido que os dois lados nessa disputa intrapartidária estejam juntos.
  
Nem todos os governadores da sigla endossam a tese da candidatura Lula, mas todos estavam em Minas ontem. Menos Camilo.

Pode demorar ainda, mas o chefe do Executivo cearense e o PT logo chegarão à conclusão de que precisam de uma DR. Antes ou depois das eleições? Depende de dois fatores: um, a manutenção de Lula como postulante. Dois: a segunda vaga na chapa para o Senado.

Publicado originalmente no portal O Povo Online