8 de junho de 2018

Quem é Steinbruch, o bilionário que pode ser vice de Ciro

Steinbruch é amigo de Ciro, mas tem opiniões divergentes das do presidenciável (foto: Daniel Marenco)
O empresário Benjamin Steinbruch ganhou os holofotes midiáticos após pedir o afastamento da vice-presidência da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) na última quarta-feira, 6. Isso porque o pedido foi feito um dia antes do fim do prazo para quem pretende se candidatar este ano deixar esse tipo de cargo, o que fortalece a tese de que ele pode ser o vice do pré-candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PDT).

A possibilidade da aliança é discutida pelo menos desde o início deste ano. Embora nenhum dos dois confirme o acordo, Ciro já admitiu que o empresário se adequa ao perfil que ele procura em um vice. A estratégia do ex-governador do Ceará é aliar-se a uma personalidade de São Paulo que tenha forte relevância no meio empresarial, para tentar angariar votos também de ala mais à direita.

Além de amigo de longa data, Steinbruch já foi até patrão de Ciro. Em 2015, o presidenciável do Ceará assumiu a diretoria da Transnordestina Logística, subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), empresa da família Steinbruch, que é presidida por Benjamin.

O empresário de 65 anos é o mais poderoso de três irmãos que controlam o Grupo Vicunha, que inclui a CSN, Vicunha Têxtil, Banco Fibra e outros bens. O império bilionário é objeto de briga judicial desde março, quando dois primos de Steinbruch entraram com ação pedindo que todos os bens sejam vendidos e divididos entre eles.

O empresário é tratado nas revistas de negócios como “dono de pulso firme”. De temperamento forte como o de Ciro, Steinbruch também coleciona contradições com o amigo. A começar pela sua posição na Fiesp, grande apoiadora do impeachment de Dilma Rousseff (PT). Ele apoiou publicamente o que Ciro chama até hoje de “golpe”.

A opinião deles sobre a reforma trabalhista também é contrária. Enquanto o presidenciável afirma que vai revogar a medida se for eleito, Benjamin elogia a nova lei. Outro impasse é o fato de o empresário ter se filiado em abril ao PP, sigla da base do presidente Michel Temer (MDB), alvo constante de críticas de Ciro.

O deputado federal Antônio Balhman (PDT), amigo próximo de Ciro, pondera que não há nada fechado ainda. “Há muitos nomes que, junto do Benjamin, são expressivos e possíveis”, afirma, citando o também empresário Marcos Lacerda (PSB-MG).

“Mas o Benjamin tem uma grande ponto positivo que é ser de São Paulo, ser um empresário experiente, nacional, que estuda os problemas econômicos brasileiros”, continua. O parlamentar diz ainda que as contradições entre eles “serão consideradas no momento de escolha”, o que “valerá para todos os nomes”.

Essas incongruências, no entanto, não afastam completamente a chance de acordo. O apoio do PP, quarto maior partido da Câmara dos Deputados, daria a Ciro cerca de dois minutos a mais de TV no horário eleitoral. A legenda já afirmou que não lançará candidato próprio à Presidência, abrindo caminho à negociação.

Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, reitera que nada está fechado, mas não descarta a possibilidade de aliança. “Tenho simpatia pelo Ciro, ele é um grande amigo, eu inclusive já votei nele anos atrás, mas nós temos uma aproximação hoje com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a nossa prioridade é apoiar a candidatura dele”, disse. Caso nada seja fechado com Maia, a porta estaria aberta para Ciro.

Publicado originalmente no portal O Povo Online