23 de junho de 2018

O equilíbrio de poder no PT cearense por Érico Firmo


A posse de Deodato Ramalho, ontem, na presidência do PT de Fortaleza, é peça importante na definição do equilíbrio de poder no partido, nas proximidades das eleições. 

A rigor, no calendário do partido, não há agora mudança de mandato - nem faria sentido, nas portas da campanha. Ocorre que, na última eleição, Acrísio Sena e Deodato - com apoio da ex-prefeita Luizianne Lins - travaram disputa muito parelha. O resultado foi objeto de recurso em instâncias do partido e estabeleceu-se o impasse. 

A solução salomônica foi repartir o mandato ao meio. Acrísio dirigiu o partido na primeira metade. Pela primeira vez neste século, o diretório municipal saiu das mãos do grupo de Luizianne - que agora recobra a hegemonia.
  
O retorno dessa ala à direção do partido na Capital está longe de fazer frente ao grupo que controla a legenda no Estado. Porém, fortalece o contraponto ao governador Camilo Santana, ao seu grupo e à aliança com a família Ferreira Gomes. A ala luizianista é obviamente mais frágil hoje do que foi quando detinha a Prefeitura de Fortaleza. Ainda assim, seu fortalecimento interno é fator relevante extra a ser administrado pelo governador na iminência da busca pela reeleição.

Isso numa campanha que, se ainda não apresentou adversários competitivos, é repleta de fatores complexos, locais e nacionais, dentro da própria composição governista.

Publicado originalmente no portal O Povo Online