12 de junho de 2018

Resolução do PT cria embaraço para apoio de Camilo a Ciro nas eleições


O PT lançou ofensiva de olho na costura de apoios nos estados. Uma resolução aprovada pela legenda, que condiciona as alianças locais à candidatura do petista, cria dificuldade à proximidade do governador Camilo Santana (PT) com o pré-candidato do PDT à Presidência Ciro Gomes.

A resolução do PT também mira no apoio de PSB e PCdoB, dois partidos que vêm sendo procurados por Ciro na tentativa de ganhar musculatura para as eleições.

A estratégia da sigla tenta frustrar as investidas do pedetista em direção ao PSB. O ex-ministro aparece em 3º lugar no Datafolha nos cenários sem Lula, em empate técnico com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

Divulgada no sábado em Minas Gerais, um dia depois de o PT lançar nacionalmente a pré-candidatura de Lula – Camilo foi o único governador petista que não participou da programação –, a resolução fixa “a primazia do projeto nacional (pré-campanha de Lula) sobre as disputas regionais”.

O documento estabelece ainda que “qualquer definição de candidaturas e política de aliança nos estados terá que ser submetida antecipadamente à Comissão Executiva Nacional (CEN)”.

Prestes a assumir o comando do PT em Fortaleza, Deodato Ramalho avalia que a nova diretriz “causa um constrangimento” e “vai gerar um debate no partido” no Ceará.

“A política nacional dá a diretriz”, considera o dirigente. “Nós tivemos alguns momentos em que, isoladamente, houve flexibilização. Mas o tempo tem mostrado que não podemos mais ter isso. Do contrário acabamos nos transformando num PMDB.” Sobre o virtual apoio de Camilo a Ciro nas eleições, o petista admitiu que se trata de “situação delicada”.

Ainda presidente da legenda na capital cearense (o mandato expira dia 22 deste mês, quando cede a cadeira a Deodato), o vereador Acrísio Sena diverge do colega de agremiação. Para ele, “sob hipótese nenhuma o partido vai desconsiderar os governos, principalmente no Nordeste”.

De acordo com Sena, a orientação do PT também tem de levar em conta a reeleição dos governadores. “Não pode fazer isso (ignorar os cenários nos estados). Sabemos do prejuízo (para o partido), mas precisamos pensar nas especificidades”, defendeu. “Acho que a manutenção da candidatura do Lula não pode ser uma camisa de força para as realidades estaduais nem para o governador Camilo Santana.”

O governador do Estado não tem participado dos atos do PT de lançamento da candidatura de Lula. No Ceará, dois fins de semana atrás, enquanto a legenda anunciava o nome do ex-presidente na disputa, o chefe do Executivo estadual cumpria agenda com os irmãos Ferreira Gomes na região do Cariri. Na última sexta-feira, o petista faltou a evento nacional de anúncio de Lula, em Minas – Camilo participou de agenda ao lado de recém-aliado Genecias Noronha (SD), em Russas.

Deputado federal e integrante do grupo que discute estratégia eleitoral no partido, José Guimarães é categórico: “Temos dois compromissos, apoiar o Lula e apoiar o Camilo. Tudo o mais está em discussão ainda”.

Questionado sobre a posição do partido caso Camilo se declare favorável a Ciro, Guimarães brincou: “Enquanto tiver o ‘caso’, não vamos discutir”.

O jornal O POVO procurou o Governo do Estado, que, por meio de assessoria, informou que Camilo ainda não está tratando de eleições. A reportagem tentou contato com a presidência estadual do PT, mas não obteve retorno até o fechamento desta página.

Com informações portal O Povo Online