14 de julho de 2015

Grupo político dá ultimato ao Pros e critica golpismo

Encontro reuniu filiados do Pros de todo o estado para discutir a situação da sigla no Ceará (Foto: Tatiana Fortes)
A reunião dos filiados do Pros no Ceará, na noite de ontem (13/07), no hotel Romanos, em Messejana, focou na possibilidade de mudança de legenda já para as próximas eleições. O grupo político dos Ferreira Gomes estuda migrar para o PDT. Entretanto, o encontro inspirou também profundas críticas dos irmãos Cid e Ciro Gomes à atuação do PSDB e do PMDB em nível nacional. 

Na ocasião que marcou a reaparição política do ex-ministro da Educação, Cid Gomes, houve apelo dos líderes por mais unidade ideológica no Pros e rejeição ao que classificaram como “golpismo” e “fascismo”. “Critico pessoas que se aproximam do governo para tirar proveito e condicionam seu voto no plenário as benesses do poder. São o que chamo de achacadores”, afirmou Cid.

Ciro mira o PMDB, aliado de seu grupo político até o ano passado, quando surgiu um racha na disputa para governador do Estado. “Estamos seguros que escolhemos proteger o Ceará do banditismo do PMDB, da ladroagem em quadrilha do PMDB”, disse o ex-governador. “Me preocupa, na política brasileira, a escalada fascista e golpista. A gente sente linguagens que não respeitam nem a diversidade, que é a síntese da convivência”, completou Ciro.

Para o presidente municipal do Pros, Karlo Kardozo, ex-PSB, o discurso anti-golpe foi destaque no encontro. “Discutimos o movimento que tenta desestabilizar um governo legitimamente eleito”, conta.

Diante da queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT) e os escândalos envolvendo o Partido dos Trabalhadores, como o mensalão e o da Petrobras, Cid revalidou seu apoio ao Executivo nacional, mas evitou comentar sobre a manutenção da aliança. “Eu acredito na Dilma, acho que ela é bem intencionada e séria. Mas o Brasil vive situação em que isso é muito pouco frente às dificuldades”, declara. Por outro lado, Ciro não esconde o descontentamento e garante que, se necessário, vai romper com o PT. Ele culpa o partido pela “escalada fascista” no País. Segundo ele, a desorientação do governo e a perplexidade da população geraram esse movimento.

“Minha maior decepção com o PT é a de ter se igualado ao PSDB em conservadorismo econômico e na imoralidade”, revela, sobre os supostos envolvimentos de ambas as legendas em casos de corrupção.

A insatisfação com o Pros, somada ao convite do PDT para integrar a legenda, criam o ambiente ideal para mais uma troca de partido do grupo político dos Ferreira Gomes. “Já formalizamos nossa queixa. Ou muda, ou não é possível que nós permaneçamos”, disse Ciro Gomes à jornalista Kézya Dinis, no blog Política com K, antes do evento em Messejana. Junto aos dois ex-governadores, Cid e Ciro Gomes, o prefeito Roberto Cláudio, os presidentes da Câmara Municipal e da Assembleia, Salmito Filho e Zezinho Albuquerque, também trocariam de legenda.

Filiados reclamam que o Pros não tem cumprido o acordo de 2013, quando o grupo entrou no partido, de criar solidez ideológica e dar espaço para articulações. Durante o encontro com vereadores e prefeitos que pretendem se candidatar em 2016, o grupo tentou passar segurança sobre consequências de mudança de sigla. De olho na janela partidária, que não acarretaria em perda de mandato, Ciro afirmou: “Estamos atentos à legislação para que ninguém saia prejudicado”.

Com informações O Povo Online