18 de julho de 2015

Palácio da Abolição silencia sobre saída de Ivo Gomes

Diante mais uma baixa na gestão em seis meses de mandato, o governador Camilo Santana (PT) ainda não se pronunciou sobre a saída de Ivo Gomes da Secretaria das Cidades. O deputado estadual deixou a pasta na última quinta-feira (16/07) e deve voltar à Assembleia Legislativa logo após o recesso, em agosto.

Até que ele retome a vida pública, no entanto, o assunto deverá ter esfriado. A saída que pareceu inesperada e tinha ares de impulsividade, agora, ganha tom de premeditação. 

De acordo com o amigo e prefeito de Sobral, Clodoveu Arruda (PT), Ivo escreveu uma carta ao governador, alegando que a retirada tinha motivações de “ordem pessoal”. “Ele agradeceu a oportunidade e disse que tinha razões pessoais para deixar a pasta. Isso é autoexplicativo”, conta Clodoveu.

Por outro lado, na nota divulgada à imprensa, o ex-secretário culpou atrasos de repasses por sua decisão de deixar o Executivo. Procurada pelo jornal O POVO, a assessoria do parlamentar informou que ele não comentaria nada além do que foi publicado em nota oficial.

O líder do governo na Assembleia, Evandro Leitão (PDT), confirma que o colega saiu por “questões particulares”, sem dar mais detalhes. “A máquina continua rodando. Não vejo problema de continuidade nisso”, responde o pedetista, sobre a possibilidade de racha entre o governo e o grupo dos Ferreira Gomes.

Da oposição, o deputado estadual Heitor Férrer faz uma análise diferente. Para ele, o governo tem contrariado secretários, sem dar autonomia e com atraso de repasses. “Ivo diz o que pensa e faz o que quer. A saída dele representa uma insatisfação”, argumenta. O parlamentar diz ainda que Camilo não deixaria de depositar recursos para o irmão de seu mentor, Cid Gomes. “Significa que o Estado precisa fazer caixa e não tem dinheiro”, afirma.

Até a noite de ontem, Camilo estava fora do Estado, no Encontro dos Governadores do Nordeste, em Teresina. Após mudanças nas pastas de Segurança Pública, Esportes, Relações Institucionais e Controladoria e Ouvidoria, a última perda talvez tenha sido uma das mais significativas.

Ex-chefe de gabinete do governo Cid Gomes (Pros), Ivo era um dos últimos elos da gestão anterior com a atual. A exoneração ainda não foi assinada por Camilo ou publicada no Diário Oficial do Estado. Segundo a assessoria da Casa Civil, o adjunto Quintino Vieira responde temporariamente pela pasta. O ex-superintendente do DER é ligado ao grupo dos Ferreira Gomes.

Com informações O Povo Online