19 de fevereiro de 2017

Os cuidados para não expor demais as crianças nas Redes sociais

Nas imagens de Gregório, de 11 meses, a mãe opta por não informar a localização e esconder o nome da escola do filho (Foto: Mateus Dantas)
O que você espera ao publicar uma foto sua na internet? É interessante que todos vejam o conteúdo? Que saibam onde você está? Você está disposto a lidar com a repercussão, caso ela não seja a esperada? São muitas as perguntas, mas imagine agora que a foto inclui uma criança. É hora de recomeçar o texto e tentar responder tudo pensando nela. O ideal é que as perguntas sobre ela venham antes das suas. Se você é adulto, tem o dever de prezar pela segurança e pela dignidade da criança.

Os pais decidem sobre o que vão compartilhar a respeito dos filhos em textos, fotos e vídeos. A dosagem vem de cada um. No entanto, há comportamentos e detalhes que podem fazer a diferença, tornando a exposição excessiva e trazendo resultados não planejados. De um meme inofensivo ao risco de atrair sequestradores e pedófilos. Como no mundo analógico, as ameaças são prevenidas com a mediação dos pais, educadores e responsáveis.

As questões trazidas no início do texto buscam colocar o adulto no lugar da criança antes de escolher por ela, conforme orientação de Ana Carina Stelko Pereira, doutora em Psicologia e professora adjunta da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Ela lembra que a internet pode “eternizar” algumas publicações e tem meios diversos e rápidos de propagação. A criança pode resgatar depois o que foi postado sobre ela. “O importante é compartilhar o que contribua para a autoestima da criança”, enfatiza.

A psicóloga também orienta sobre os cuidados com a segurança nas postagens. Para evitar sequestros ou reprodução de fotos em redes de pedofilia, imagens em posições erotizadas ou com a identificação do local não devem ser publicadas. Um cuidado que está nos perfis que a fisioterapeuta Monalisa Aragão, 27, fez para os filhos na rede social Instagram. Desde o quarto mês de vida, o caçula Gregório, agora com onze meses, ganha curtidas e comentários só para ele. O mesmo aconteceu com Maria Valentina, 3, desde que ela tinha 1 ano.

“Eu coloco uma mancha na farda da escola, nunca coloco a localização da minha casa. Quando faço uma foto marcando um lugar, só posto depois de ter saído de lá”, explica a mãe. Assim, ela se sente mais segura ao mostrar quase diariamente fotos e vídeos dos filhos.

As contas começaram a pedido de familiares e amigas que queriam acompanhar o crescimento de Valentina. Agora, ela e o irmão ganham presentes de seguidores e de marcas da moda infantil. Os comentários nem sempre são de conhecidos. No entanto, Monalisa encontrou uma nova rede de mães que gostam de partilhar imagens e momentos. De olho na segurança, ela se diverte ao ver que a filha pede para tirar fotos quando gosta de uma roupa, além de brincar fingindo que tem um canal de vídeos. “Mas quando ela não quer foto, não tem quem faça. Aí eu deixo pra lá”, sorri.

LIDANDO COM AS ATIVIDADES DOS FILHOS NA INTERNET

1 O que postar, como postar e para quem?
Primeiro os adultos, depois crianças e jovens devem compreender que tudo que é compartilhado na internet é de domínio público e pode ser usado por outras pessoas para diferentes fins. O que torna a rede social uma imensa vitrine da sua vida, um livro aberto que conta uma história, mas não necessariamente a sua, pois as interpretações e usos podem ser os mais diversos possíveis.

2 Investigar os próprios hábitos
Antes de questionar o que os filhos costumam postar, os adultos podem fazer essa reflexão. As crianças aprendem pelo exemplo, tendem a reproduzir em seus comportamentos o que veem no cotidiano.

3 Ser crítico e reflexivo
Em conversa com as crianças maiores e os adolescentes, aponte as virtudes e limitações do uso das redes sociais. Eles necessitam dessa informação para ajustarem seus comportamentos. Demonstre que as publicações que dão acesso a hábitos e rotina da pessoa (endereços de academia, restaurantes ou escola) e que expõem partes íntimas podem ser usadas para a prática de crimes, como cyberbullying, pedofilia e sequestros.

4 Escute o que a criança tem a dizer
Procure perceber a importância e os hábitos de uso das redes sociais para a criança e para o adolescente. Se as redes são fonte de informação para consumo ou hábitos pessoais, elas também podem ser um potente recurso para que você compreenda o comportamento dos seus filhos.

Com informações O Povo Online