4 de agosto de 2017

"Os argumentos para não julgar Temer agora" por Erico Firmo

Um dos argumentos mais recorrentes nos discursos dos deputados que votaram a favor de Michel Temer (PMDB) foi o de que o presidente não deixará de ser investigado. Eles não votaram contra a denúncia. Foram apenas contra que o trâmite ocorra agora, o que ocasionaria o afastamento do presidente e, portanto, a interrupção do governo. Isso colocaria em risco da estabilidade econômica.

Sei bem os motivos que estão por trás da maioria dos votos. O dito pelo microfone justifica, muitas vezes, o que não pode ser dito. Argumentos usados há um ano pelos defensores de Dilma Rousseff (PT) agora são apropriados pelos apoiadores de Temer, e vice-versa. 

Mesmo assim, ninguém precisa dizer nada ao microfone além do “sim” ou “não”. Se resolve se explicar, há de se esperar que as coisas façam algum sentido.

E consigo até entender o parlamentar que considera não haver elementos para o processo prosseguir. Discordo, mas compreendo essa percepção. Acho mais lógica que a posição de quem afirma que a denúncia deverá ficar para depois.

Ora, Temer é acusado de corrupção. Deixar para depois o julgamento significa mantê-lo no cargo. Com isso, viabilizar condições para que o presidente sob suspeita continue a cometer o suposto crime atribuído a ele.

Mais que isso: permite-se que esse presidente, primeiro a ser denunciado em pleno mandato pela Procuradoria Geral da República e com caso temporariamente sobrestado, promova reformas estruturais no Estado brasileiro. Isso enquanto aguarda para ser processado.

Outro primor de argumento foi proteger Temer do processo por corrupção com objetivo de resguardar a economia. Ora, são investigados desvios bilionários. Como pode ser bom para a economia deixar de investigar suspeitos de fraudar os cofres estatais? De que maneira a impunidade de eventuais corruptos ajuda no equilíbrio fiscal?

Publicado originalmente no portal O Povo Online