19 de agosto de 2017

Programa de TV racha PSDB e ameaça presidência de Tasso

O programa nacional do PSDB, veiculado na última quinta-feira (17/08), causou uma verdadeira implosão entre os filiados da sigla que ameaça a permanência do senador Tasso Jereissati (PSDB) na presidência interina do partido. O vídeo de 10 minutos que aponta acertos e erros do PSDB, como aceitar “como natural o fisiologismo, que é a troca de favores individuais e vantagens pessoais em detrimento da verdadeira necessidade do cidadão brasileiro”, dividiu ainda mais a legenda que já vinha rachada nos últimos meses.


A insatisfação com a mensagem do programa teve como consequência um movimento interno que começou a discutir substitutos do cearense. A principal crítica é o “autoritarismo” do senador que, segundo parlamentares, não compartilhou a concepção do vídeo com a base do partido.

“Se o PT tivesse feito um programa para o PSDB, não teria sido tão ruim como esse está. Esse programa é contra a gente, que divide o partido”, disse o deputado Guilherme Coelho (PSDB-PE). Ele defende que a direção seja renovada em meio à crise interna.

Entre os possíveis substitutos estão os nomes do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), o governador de Goiás, Marconi Perillo, e o do próprio senador Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do posto desde maio quando foi atingido pela delação da JBS.

O argumento da maior parte dos filiados é que o senador Tasso não “une” mais o PSDB. “Mesmo sendo presidente precisava fazer uma análise se o programa retratava fielmente o que pensa o conjunto do partido porque me parece que a maioria não pensa como o senador pensa”, disse o deputado Geraldo Resende (PSDB-MS).

Questionado pelo jornal O POVO, o senador se disse responsável pelo vídeo e defendeu o que foi ao ar. “Eu não me arrependo de nada, tenho responsabilidade total pelo programa”, disse. Ele afirmou ainda que, enquanto for presidente, dará as orientações.

Embora a maioria esteja pressionando que o cearense deixe o posto, uma parte minoritária chegou a elogiar o programa e concordar com o conteúdo veiculado. “O programa transmitiu a vontade do PSDB em transformar o Brasil”, disse ao jornal O POVO o deputado Miguel Haddad (PSDB-SP).

No senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) saiu em defesa de Tasso e disse que ele continua tendo “respaldo total” dentro do partido. “Tasso não está sozinho nesse projeto que ele lidera”, frisou. Para Ferraço, o programa “dialoga com os dados da vida real”.

Sobre o possível retorno de Aécio ao comando do partido, o senador disse que “a decisão é unilateral”, mas acha que seria um “equívoco”. “O projeto do Tasso está correto e coerente com os princípios e valores do partido”, avaliou Ferraço.

O PSDB definiu ontem que as datas para as convenções nacional, estaduais e municipais. De acordo com o site do partido, o principal evento deve ser realizado em 9 de dezembro.

Já as convenções estaduais serão feitas em 11 de novembro e as municipais, entre 1º e 15 de outubro.

O partido vai organizar também uma reunião com os presidentes de diretórios estaduais em dia 24 de agosto, na sede da Executiva do partido, em Brasília, para tratar das convenções e também da conjuntura política nacional.

Com informações portal O Povo Online