6 de novembro de 2018

Petistas e pedetistas negam que crise entre os dois partidos chegou ao Ceará

Parlamentares cearenses do PT e do PDT têm se esforçado para evitar que mal-estar entre os dois partidos chegue ao Estado. Nacionalmente, as legendas disputam protagonismo da oposição de esquerda ao futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL), mas no Ceará estão juntas em torno do governador Camilo Santana (PT).

Em entrevista à revista Época divulgada ontem, o senador eleito Cid Gomes (PDT) voltou a fazer duras críticas ao partido do seu aliado Camilo. Ele disse que o PT tem "protagonismo na corrupção" e que, se chegasse novamente ao poder, seria "mais do mesmo"

O ex-governador defende o seu irmão Ciro Gomes (PDT), que ficou em terceiro lugar na disputa à presidência da República, como o principal nome da esquerda.

Há cerca de 20 dias, em meio à campanha para o segundo turno, Cid causou polêmica em evento do PT ao pedir que legenda pedisse desculpa pelas "besteiras que fizeram", além de dizer que eles iriam "perder feio" as eleições.

Aliados de Cid e de Camilo têm minimizado as declarações, na esperança de "blindar" o Ceará da crise e evitar um racha. O deputado federal Leônidas Cristino (PDT), aprovou falas de Ciro ao mesmo tempo em que tentou isolar Camilo desse cenário. "Nós não somos do PT, somos do PDT e temos diferenças. No meu entender, a relação com o Camilo e o governo dele continua a mesma, nós permanecemos juntos. A nível nacional, nós vamos partir para outro caminho, sem o atrelamento ao PT", disse.

Parlamentares petistas também têm evitado falar em racha, de forma a preservar relação das legendas em nível local, mas o descontentamento com as declarações é evidente. Mesmo o deputado federal José Guimarães (PT) - que chegou a admitir uma possibilidade de rompimento com os Ferreira Gomes em outubro, após explosão de Cid em evento do PT - disse que não queria "polemizar" sobre esse assunto.

"O Cid tem o direito de fazer críticas ao PT, mas nós não temos obrigação nenhuma de aceitá-las. Nós não vamos perder tempo com isso, nós saímos fortificados das urnas, temos a legitimidade do voto para fazer oposição. O que exigimos é respeito", disse, sem esconder mal-estar. 

Sobre permanência do PDT no governo do Camilo, foi direto: "O PT é o PT, o governador é o governador. O governo dele (Camilo) é de coalizão, mas nós vamos cuidar do PT".

O vereador Guilherme Sampaio (PT) cobrou uma atitude dos Ferreira Gomes. "Essas declarações do Cid São muito infelizes. Eu acho que, se eles pensam isso, deveriam pedir para sair do governo do Camilo. Cobram coerência, honestidade, e vão continuar no governo?", questionou. O vereador evita, porém, afirmar que o PT deva rachar com o PDT.

 "Eu acho que deveríamos estar todos juntos, mas obviamente que o PT não vai tratar como aliado alguém que o ataca e, em um momento oportuno, deve discutir isso nos seus diretórios", disse o vereador petista. 

Com informações portal O Povo Online