11 de novembro de 2018

Como o Ceará pensa e pratica a sustentabilidade


Associado à natureza, o conceito de sustentabilidade aplicado aos modelos de negócios precisa ser holístico. Ir além do mínimo estabelecido em lei é diferencial para valorizar a marca: para colaboradores, gestores e consumidores. Ser sustentável é premissa de sucesso, estabelecimento e permanência no médio e longo prazos.

Partir para práticas sustentáveis, requer estrutura, administração, produção, impacto social e conservação ambiental. Sustentabilidade organizacional não é somente economizar água e coleta seletiva de resíduos.

Professor da Faculdade CDL de Fortaleza e especialista em Economia Criativa, Randal Mesquita avalia que as empresas que apresentam relações sustentáveis em toda a cadeia de produção levam vantagem competitiva.

"O consumidor tem amadurecido, está mais informado e mais vigilante em relação à origem do produto. Nesse processo de diferenciação, algumas empresas entenderam que há uma oportunidade de incrementar suas margens. Entregar sustentabilidade é mexer de fato na fórmula, no processo, na forma a pensar no ganho coletivo", complementa.

O requisito, todavia, ainda não foi plenamente acolhido pelos negócios cearenses. Na indústria, o alinhamento a práticas sustentáveis, calculado de 0 a 10, mostrou melhor desempenho naquelas empresas de médio e grande porte, com respectivos índices 5,8 e 5,5, enquanto a média estadual é de 4,2.

A sustentabilidade ainda está distante nas indústrias de pequeno (3,7) e micro porte (2,5). Os números são do Perfil de Sustentabilidade Industrial, levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). O estudo analisou o perfil dos negócios cearenses na economia sustentável com os seguintes parâmetros: planejamento e gestão de processos; gestão de pessoas; produção; cadeia de suprimentos e distribuição; consumidores; parcerias institucionais; meio ambiente e engajamento local.

"As organizações descobriram que ser sustentável reduz custos, engaja funcionários e atrai consumidores. Assim, há maior valor de mercado e poder de competitividade. Já é algo estratégico mas as menores empresas ainda estão acordando para essa necessidade", analisa Claudia Buhamra, pós-doutora em Marketing e Sustentabilidade, professora do Mestrado e Doutorado em Administração e Controladoria da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Sheila de Carvalho, coordenadora de Projetos de Direitos Humanos do Instituto Ethos, concorda que a internalização da filosofia sustentável nas corporações "ainda é incipiente", inclusive no pilar humano. "O Brasil adotou os objetivos da agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A sociedade civil tem esta responsabilidade. Sustentabilidade é promover trabalho decente e crescimento econômico; uso de energia limpa e também redução das desigualdades", exemplifica.

Para Roberto Pinto, pós-doutor em Administração e professor do Mestrado e Doutorado em Administração da Universidade Estadual do Ceará (Uece), o alinhamento do comércio a práticas sustentáveis também não é satisfatório. "Estamos muito longe do mínimo que se pode fazer. Mas para além das empresas, temos pesquisas na Universidade e vemos com certa esperança que isso se difunda, o interesse aumente na sociedade".

Da UFC e da Uece saem constantemente pesquisas voltadas ao beneficiamento de resíduos, melhorias em gestão pública e privada, governança corporativa sustentável, panoramas sociais, propositura de soluções inovadoras, dentre outras.

"Nosso objetivo hoje é formar gestores desde a graduação na perspectiva da sustentabilidade. É ponto fundamental e não apenas como uma disciplina, tem que permear a linguagem geral dos cursos. No programa de Mestrado, temos linha de pesquisa de Estratégia e Sustentabilidade", especifica Claudia.

Publicado originalmente no portal O Povo Online

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