19 de agosto de 2016

A presença de Dilma no senado representará mudança no impeachment? por Nicolau Neto

A presidenta afastada de suas funções no palácio do planalto desde que o senado federal decidiu pelo prosseguimento do impeachment, irá pessoalmente fazer sua defesa marcada para o dia 29 de agosto.

Mas, como já foi dito anteriormente, o cenário histórico começa a ser desenhado quatro dias antes quando testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas que, segundo o presidente do Superior Tribunal Federal (STF) e também do processo de afastamento, Ricardo Lewandowski, elas serão isoladas uma das outras, o que não quer dizer nada ante os fatos já consumado.

A presença de Dilma durante o circo que lhes prepararam mudará o processo? Senadores e senadoras a favor do seu afastamento definitivo e, portanto, de sua inelegibilidade por 8 anos mudaram de opinião? Para os legisladores federais de partidos aliados a presidenta, sim. O simples fato dela poder fazer sua própria defesa demonstra grandeza e que ela pode falar muito mais e com mais propriedade do que o seu próprio advogado, o José Eduardo Cardozo. E isso contribuirá para uma mudança de voto a seu favor.

Porém, pelo que se percebe a ida de Dilma ao congresso nacional não servirá muito. Não mudará em nada o cenário e o enredo de uma história que já tem o seu final. Um final de uma longa e deprimente narrativa construída pelo o que tem de mais sujo e podre na política brasileira e que teve seus primeiros passos logo que foi decretado o resultado final das eleições presidenciais em outubro de 2014.

A narrativa do afastamento de Dilma será apenas confirmada nos próximos 15 dias. Nada mais lhes acrescentará. Nada mais lhes diminuirá. Ela já está pronta. Senadores e senadoras repetirão o que 367 deputados naquela aberrante sessão do dia 17 de abril fizeram. Talvez também em nome de deus e da família, porque em nome de interesses próprios já é sabido que será.

Com o impeachment confirmado nos próximos dias que contou com deputados/as, senadores/as, governadores/as, prefeitos/as, vereadores/as e o apoio irrestrito de setores da mídia conservadora e reacionária, de membros da PF, do STF e do MPF, resta-nos fazer uma oposição programática e consciente de que só a força da mobilização popular pode mudar os rumos do país.

Conscientes ainda de que o afastamento da presidenta entrará para os anais da historia como um fardo pesado para a democracia, como um peso em que quem mais sentirá não é Dilma, tão pouco Lula e seus assemelhados/as, mas os setores menos favorecidos deste país, ou seja, agricultores/as, negros e negras, homossexuais. Alias, eles já estão sentindo na pele e no bolso as consequências do governo interino.

Todos os avanços sociais - poucos é verdade, se comparados com os lucros que banqueiros/as, industriais e fazendeiros tiveram - adquiridos na última década, e todos os direitos sociais conquistados a duras penas serão paralisados em detrimento do retrocesso e do conservadorismo de uma elite política branca, racista, machista e homofóbica. Os livros de história registrarão esse fato como GOLPE.

Por fim, não se deve jamais esquecer e isso que faz com o processo seja um golpe, que mais da metade de seus julgadores respondem a algum tipo de crime, inclusive lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras. Mas Dilma não.