29 de setembro de 2017

Escolha de relator tucano ajuda Michel Temer, mas irrita ala do PSDB

O presidente da Comissão de Constituição (CCJ) da Câmara, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), confirmou ontem (24/09) Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) como relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

Andrada tem 87 anos, é advogado e está no décimo mandato consecutivo como deputado federal. Aliado do senador afastado Aécio Neves (MG), o deputado faz parte da ala do PSDB que defende a permanência do partido no governo. 

Na primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva, o tucano não participou da votação na CCJ, mas votou para barrar a investigação contra o presidente da República no plenário. “Senhor presidente, voto ‘sim’, a favor das instituições e do progresso do Brasil”, afirmou.

A escolha de Andrada deve desagradar a liderança do PSDB e os chamados “cabeças pretas”, que defendem rompimento com o presidente Michel Temer. O líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), chegou a pedir formalmente a Rodrigo Pacheco que nenhum de seus liderados fosse escolhido relator da segunda denúncia contra Temer. O mesmo pedido foi feito por Aécio.

Na entrevista em que anunciou o relator, Pacheco admitiu que foi procurado pelo líder do PSDB, mas disse que Andrada está “acima” dessas questões. “Tenho certeza que PSDB haverá de ficar contente com a decisão”. Ele também minimizou o fato de Bonifácio ter votado a favor de Temer na primeira denúncia. “É uma nova realidade e confio muito na decência e na experiência do deputado Bonifácio”, disse.

Pacheco admitiu que chegou a sondar outros deputados para a relatoria, entre eles, Evandro Gussi (PV-SP), Ronaldo Fonseca (Pros-DF) e Marcos Rogério (DEM-RO). Os três, porém, informaram que não tinham interesse no posto. No caso de Rogério, a líder do DEM, Efraim Filho (PB), também procurou o presidente da CCJ para pedir que não escolhesse nenhum deputado do partido como relator.

Temer é acusado de obstrução da Justiça e participação em organização criminosa que teria recebido ao menos R$ 587 milhões de propina.

Bonifácio não integra a lista de titulares da CCJ, o que pode resultar na curiosa situação de ele não conseguir votar a favor de seu relatório, no caso de todos os titulares votarem. Em seu 10º mandato na Câmara, o tucano foi um dos que reforçou discurso contra a Lava Jato na tramitação da 1ª denúncia: “A Câmara é a representação do povo. Os deputados não são santos porque o povo também não é santo” disse.

Advogado e professor universitário, integra uma tradicional família de políticos, a linhagem de descendentes de José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos principais articuladores da independência do país.

Com informações portal O Povo Online