28 de setembro de 2017

Sobrevivência de Aécio une PT, PSDB e Temer

Tocadas paralelamente no Congresso, articulações em torno da denúncia contra Michel Temer e do afastamento de Aécio Neves (PMDB-MG) já viraram uma só aos olhos do governo. Um dos principais articuladores do presidente, o senador tucano tem hoje sua “sobrevivência” como prioridade para Temer, que enfrentará cenário pessimista na Câmara dos Deputados.

Na noite de ontem (27/09), a Mesa do Senado foi notificada de decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que afastou Aécio do cargo. Cresce, no entanto, entendimento proposto pelo PSDB de que a questão deverá ser decidida pela Casa. Presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) já sinalizou que levará questão ao plenário.

 “Se a Constituição foi ferida por uma decisão e cabe ao Senado tomar uma decisão baseado na Constituição, obviamente o Senado vai tomar as suas providências”, disse Eunício. A tese, no entanto, não é defendida só por governistas: Em nota lançada ontem, o PT afirmou que votará contra a decisão e disse que Aécio “defronta-se com o monstro que ajudou a criar”.

“O Senado Federal precisa repelir essa violação de sua autonomia, sob pena de fragilizar ainda mais as instituições”, disse o partido, em mesma tese que defendeu na época da prisão do ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido). Na época, no entanto, petistas e tucanos ficaram em polos opostos, com o PSDB defendendo a aplicação imediata da prisão de Delcídio.

No cerne do apoio do governo a Aécio, está denúncia contra Temer em tramitação na Câmara. Na tarde de ontem, o presidente foi notificado formalmente da ação, atualmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Ontem, o presidente do grupo, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), decidiu manter a tramitação conjunta da acusação contra Temer, que inclui os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

Contrariando oposição e partidos do Centrão, Pacheco alegou que seria inusitado separar os acusados e manter a denúncia sob relatores diferentes. “É recomendável que a apreciação seja feita em conjunto por um único relator para que haja visão unitária”.

A oposição recorrerá da decisão. “Não faz sentido obrigar que parlamentares tenham uma posição única sobre todos os casos”, justificou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ). O deputado conta com o apoio do Centrão.

A expectativa é que Pacheco anuncie hoje relator do caso. Segundo a reportagem apurou, Pacheco tinha como opções Evandro Gussi (PV-SP), Marcos Rogério (DEM-RO), Bonifácio Andrada (PSDB-MG) e Danilo Forte (PSB-CE).

Com informações portal O Povo Online