3 de setembro de 2017

“Lulismo é maior que a crise; o petismo, não” Carlos Mazza

Passagem de Lula pelo Ceará confirmou diversas teses. A primeira: Não existe hoje, em todo o País, figura capaz de disputar com o petista no quesito popularidade.

Acompanhando viagem do ex-presidente pelo Interior, foram muitos os momentos de espontânea e genuína afeição que testemunhei entre eleitores e Lula. Em tempos de crise e de total descrédito da classe política, o feito por si só já seria notável. 



Levando-se em conta o contexto, de um líder que aparece diariamente acuado entre acusações da Justiça e da imprensa, a adoração ganha novo peso simbólico. A constatação, no entanto, não deveria animar petistas da forma como anima. Mais que a força incontestável do mito Lula, o fervor messiânico que acompanha o petista mostra também o caráter moribundo do PT como projeto político para o País.

O petismo afundou de vez na crise; o lulismo não. Cada dia maior que o petismo, o lulismo é forte para reforçar laços e discursos internos, mas é religioso e voltado para si demais para pregar aos não-convertidos.

No fervor que acompanha o ex-presidente, a criação de uma pressão social e o debate de saídas para o País se confunde com o culto ao líder das massas. O que importa é ver Lula. Tocar Lula. Bater foto com Lula e chorar com ele.

Isso pode ser interessante para devotos do Padre Cícero - com quem o petista se compara -, mas dificilmente unirá o País em torno de alguma causa além da eleição de um punhado de políticos. 

 Publicado originalmente no portal O Povo Online. A foto é de João Alves