11 de junho de 2014

Altaneirense palestra sobre Violência no Futebol na Escola Profissional em Nova Olinda

O professor José Nicolau dissertou sobre um tema que lhe é peculiar (Foto: Lucélia Muniz)
O professor José Nicolau, graduado em história pela Universidade Regional do Cariri ministrou ontem na Escola de Educação Profissional Wellington Belém de Figueiredo, em Nova Olinda, Palestra sobre a "Violência no Futebol", dentro  do Projeto "Arraiá da Copa". 

Assistiram a palestra cerca de 180 alunos, das quatro turmas, onde foram apresentados questionamentos pontuadas algumas razões para tentar explicar a violência entre "torcidas", dentre elas o modelo de sociedade consumista construído no Brasil, que valoriza a individualidade, o banal e o vazio; a juventude, cada vez mais esvaziada de consciência social e coletiva e o prazer e a excitação gerados pela violência ou pelos confrontos agressivos

“Fizemos um passeio pela história, onde frisamos que nem sempre o futebol foi um esporte de massa. Ao contrário, nasceu elitista, onde negros, mestiços e pobres eram proibidos de jogar.” Argumento Nicolau.

Para o professor José Nicolau o futebol foi palco de um amplo espaço de exclusão e discriminação social, como enfoque principal o Racismo como um dos principais atos de violência e um dos cânceres sociais, costumeiramente alimentado.

“Citamos o Vasco da Gama que no memorável torneio de 1923 abriu espaço para negros, pardos e populares para o interior de time de primeira grandeza, mesmo tendo como consequências o rompimento com as instituições dirigentes – divisão essa só sanada com o Jogo da Amizade (América x Vasco, nos anos de 1930), já sob insistência do Governo de Getúlio Vargas” citou o professor.

No final o professor altaneirense citou o discurso “emburrecedor” da mídia e suas constante programações que reforçam essa prática, ressaltou que a história do futebol e as violências nele contida, não pode ser contada sem que se faça uma análise crítica.

“Por ela, percebemos que o público e, principalmente, o jogador negro (também árbitros) foram, ainda, durante bastante tempo alvo de discriminação, como nas famosas histórias do encobrimento das características étnicas de negros com o uso da “boina” e do “pó de arroz” em pleno gramado, como construiu-se a imagem do Fluminense carioca” ressaltou Nicolau.

O professor encerrou a palestra com essa assertiva: “O racismo é a raiva de uns que causa dor em outros. Assim, além da educação e do uso da lei, importa também, e muito, a corajosa e inteligente reação dos próprios jogadores, negando-se a aceitar a regra do silêncio e do desconhecimento “olímpico” do ódio gratuito. O racismo se responde com educação e ao racista com a força da lei”.

“Quanto a experiência, posso dizer que foi muito gratificante. Os alunos a todo o tempo participaram da discussão e, isso, engrandece qualquer profissional, afinal de contas trazer o alunado para junto do debate não é tarefa fácil” disse empolgado o professor José Nicolau.