9 de fevereiro de 2018

Ao se aliar a Bolsonaro, Capitão Wagner se apequena por Ítalo Coriolano

O deputado estadual Capitão Wagner (PR) é dono de carreira política impressionante. Vereador mais votado da história do Ceará em 2012, repetindo o recorde quando disputou uma vaga na Assembleia dois anos depois.

Em 2016, foi candidato a prefeito de Fortaleza, com mais de 588 mil votos no 2º turno. Apesar da ligação com profissionais da segurança, nunca foi político de uma tecla só: trata de educação, saúde e urbanidade com desenvoltura.

Mesmo com a temática da violência sendo o carro-chefe de sua atuação, nunca caiu no discurso fácil de “bandido bom é bandido morto”. Na oposição, levou modernidade a um perfil já bastante conhecido do eleitorado cearense.

Assim, chamou a atenção de políticos poderosos do Estado, como os senadores Eunício Oliveira (MDB) e Tasso Jereissati (PSDB), além de se transformar na pedra do sapato dos Ferreira Gomes. Soube, como poucos, incomodar o grupo que detém a hegemonia local. Encarnava, de certa forma, a figura do “novo”, tão debatida por uns e temida por outros.

Entretanto, resolveu abrir de tudo isso em nome da segurança de um mandato na Câmara dos Deputados, nem que precisasse se aliar e oferecer palanque àquele que representa hoje um dos maiores riscos à democracia, à estabilidade e ao desenvolvimento do País: Jair Bolsonaro.Wagner alega que se une ao polêmico deputado por se identificar com seus “ideais políticos” e “propostas de governo”.

Que ideais são esses? Os que defendem tortura, eliminação de direitos das camadas historicamente excluídas do País, propagação do preconceito? Que propostas são essas que o presidenciável tem para resolver nossas complexas questões?

Tudo o que foi apresentando até agora não enche uma folha de papel e está distante dos reais desafios.

Há também a alegação de que sua militância é majoritariamente “bolsonarista”. É isso que move o deputado? A fidelidade de um grupo para, assim, conseguir um mandato?

Com certeza, a força do parlamentar não se iria se esvair tanto caso recusasse se submeter ao perigoso projeto representado pelo ex-militar. Abrir mão de princípios dentro do jogo eleitoral é se apequenar em termos políticos.

Uma mancha que, mais dia, menos dia, cobrará seu preço.


 Publicado originalmente no portal O Povo Online