9 de março de 2017

Protestos pelo Dia da Mulher reivindicam direitos

Com faixas e cartazes, as mulheres percorreram a avenida Des. Moreira durante o ato em Fortaleza (Foto: Lucas Braga)
Mais de 20 movimentos feministas realizaram, na manhã de ontem, Ato Unificado do Dia Internacional das Mulheres. Com ações agendadas para várias cidades do mundo, Fortaleza teve a manifestação iniciada na Praça da Imprensa Chanceler Edson Queiroz, no bairro Dionísio Torres, com caminhada rumo à agência do INSS na rua Maria Tomásia. O objetivo do evento, segundo a organização, foi denunciar a retirada e violação de direitos e defender as vidas, a autonomia e a liberdade das mulheres.


Dirigente do setor de formação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Íris Carvalho, 34, contou que o intuito do ato foi ainda informar sobre a Reforma da Previdência e denunciar a “retirada de direitos da classe trabalhadora”. “Nós, agricultoras, começamos a trabalhar desde cedo na roça e temos uma vida pesada de trabalho. Então, se aposentar com 70, 80 anos é inadmissível”, criticou.

Ticiana Studart, 37, representante do Comitê Estadual da Marcha Mundial das Mulheres, disse que no Brasil um dos principais eixos é a oposição o que chamou de “contrarreforma” da Previdência, que, de acordo com ela, retira direitos da classe trabalhadora. “Igualar o tempo de contribuição de homens e mulheres é um absurdo. Ganhamos menos que os homens, além do trabalho doméstico e cuidado com os filhos, ou seja, temos uma dupla ou tripla jornada”.

Chamaram a atenção no ato faixas e os cartazes referentes à morte de Dandara dos Santos. A travesti foi espancada e assassinada no último dia 15 de fevereiro, no bairro Bom Jardim.

Professora e integrante do Instituto Negra do Ceará, Cícera Barbosa, 31, alertou ainda para a questão racial relacionada às desigualdades de gênero. “Para além do machismo, sofremos com o racismo. Somos nós as mais assassinadas e a gente está aqui para dizer que nossas vidas não valem menos por conta do nosso sexo e da nossa cor”.

Com informações O Povo Online