25 de julho de 2017

"Eleição sem Lula é fraude" por Guilherme Sampaio

Basta percorrer a história política do País para constatar que, em todas as vezes que o tema da corrupção dominou a agenda, no Congresso e na mídia, esta escolha veio a serviço de desestabilizar lideranças de grande apelo popular, cujos governos foram marcados pelo fortalecimento do projeto nacional.

Em vez de representar saltos civilizatórios na ética pública, esta agenda efêmera foi logo esquecida quando o poder era retomado. Foi assim com Getúlio, Jango, Juscelino e, agora, com Lula e Dilma Rousseff.

A rápida desmoralização do governo golpista, cujos objetivos foram escancaradamente elencados no diálogo grampeado entre Romero Jucá e Sergio Machado (em que os dois descrevem o roteiro político para barrar o avanço da Lava Jato), é a prova cabal de que as oligarquias, mais uma vez, recorrem ao velho expediente.

Como explicar que os mesmos que tiraram Dilma pelas tais “pedaladas” agora mantenham no poder o já denunciado e moribundo Temer? Neste momento, fica ainda mais claro que o discurso anticorrupção bradado por tantos durante votação do impeachment não passava de mais um golpe.

Mas o dilema dos golpistas de hoje é que instituições republicanas como a Polícia Federal e o Ministério Público ganharam autonomia nos governos Lula e Dilma e, com isso, o prosseguimento dos processos, inevitavelmente, vai desvelando a verdade: a histórica corrupção das elites nacionais, essa, sim, fartamente escandalosa.

A resistente popularidade de Lula, mesmo injustiçado por uma sentença de caráter político e persecutório e sob ininterrupto ataque à sua reputação, é uma prova concreta da capacidade de discernimento da população acerca desse fenômeno.

Ética na política é, antes de tudo, o resguardo da escolha popular como base essencial de legitimação de um entre os diversos projetos políticos e seus líderes. O combate à corrupção deve ser apenas uma decorrência usual e eficaz dessa escolha, sobretudo pelo fortalecimento das instituições de fiscalização e investigação. Quando instrumentalizado a serviço de interesses políticos, como demonstra a história, serve apenas para encobrir uma corrupção ainda mais profunda e grave. Por isso, eleições sem Lula serão nada mais nada menos do que uma fraude.

Publicado originalmente no portal O Povo Online