27 de julho de 2017

"PDV só se for para o Temer" por Chico Lopes

O Programa de Demissão Voluntaria (PDV) de servidores públicos anunciado pelo Governo Federal é o maior ataque já desferido contra esses trabalhadores, prejudicando toda a sociedade, principalmente os mais pobres, que dependem mais da qualidade e da presença dos serviços do Estado.

Quem agora quer demitir milhares de trabalhadores é o mesmo governo que prometeu rápida criação de empregos, evolução da economia e austeridade nas contas, mas na realidade eleva despesas para cortejar parlamentares e tentar sobreviver, às vésperas da decisão do Congresso sobre as denúncias contra Temer. 

O “presidente” ilegítimo, que bate recorde de rejeição popular e sofre com a gravação de Joesley e o vídeo do “homem da mala”, agora quer que o servidor pague a conta.

Com Temer no poder, os trabalhadores foram agredidos com uma “reforma” que rasgou a CLT, os investimentos públicos inclusive em saúde e educação foram congelados por 20 anos, a terceirização foi liberada para todas as atividades e uma reforma do Ensino Médio foi feita sem debate, via medida provisória.

Agora, o País assiste surpreso a esse atentado contra os servidores públicos. Aqueles mesmos que contaram com inúmeros concursos e com valorização e respeito durante os governos Lula e Dilma agora enfrentam, pela primeira vez, um PDV. Empresas públicas brasileiras já viveram isso e sabem que fica um rastro de traumas, problemas sociais e até suicídios. Foi o que aconteceu com os bancos públicos nos anos FHC. Os trabalhadores foram, na prática, obrigados a aderir ao plano, com ameaças, pressões, assédio moral e transferências para estados distantes.

Os cidadãos já manifestaram sua indignação contra esse inaceitável PDV. A eventual saída desses servidores não vai resolver as contas do governo. O problema real está na ausência de credibilidade de quem não foi eleito. Está no pagamento de juros da dívida, nas elevadas taxas de juros, na falta de estímulo à produção e ao desenvolvimento.

Vamos às ruas e às redes dizer “não” ao PDV. Apresentaremos requerimento para que as comissões de Trabalho e de Legislação Participativa, da Câmara Federal, realizem audiência para questionar esse Programa. O momento é de união em defesa do serviço público, do Estado, do povo brasileiro. PDV só se for pro Temer, e já! O Brasil espera que ele, sim, peça para sair.

Publicado originalmente no portal O Povo Online