7 de julho de 2017

Eunício assume por três dias a Presidência da República

O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) saboreou, na tarde de ontem, as primeiras horas como presidente da República em exercício. Recebeu amigos, conversou com ministros, atendeu a imprensa.

“É uma plenitude, não tenha dúvidas”, descreveu, em entrevista por telefone ao jornal O POVO. “Mas é temporário, tenho consciência da interinidade”, frisou.

Eunício, que é presidente do Senado, ficará no comando interino do Executivo até amanhã, durante a viagem de Michel Temer à Alemanha, para encontro da Cúpula do G20. O cearense disse que não terá agenda externa e cuidará apenas de “despachos internos, burocráticos”.

No primeiro dia, no entanto, sancionou a lei que determina que precatórios depositados há mais de dois anos, não sacados pelos beneficiários, sejam devolvidos aos cofres públicos. Esse teria sido um pedido de Temer, pouco antes de ele embarcar para a Alemanha. A medida significa injeção de R$ 8,6 bilhões na economia. A lei foi aprovada pelo Senado na última quarta-feira.

A agenda de Eunício no Planalto, no entanto, deverá ser mais política que administrativa. O cearense é um dos fieis aliados de Temer no Congresso e poderá dar sequencia à intensa agenda política cumprida pelo presidente nos últimos dias. “É mais política do que outras coisas, até porque não quero tomar iniciativas (de gestão) que possam criar algum tipo de embaraço”, disse.

Nos últimos dias, Temer fez uma maratona de reuniões com deputados, a fim de garantir apoio na Câmara para barrar a denúncia por corrupção passiva apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR). Eunício admitiu que tratará com parlamentares, mas não citou nomes. “Vou conversar com quem me procurar. Vou receber todos”, disse. Até o fim da tarde de ontem, não constava no site do Palácio do Planalto a agenda oficial do presidente em exercício.

O senador não quis comentar o possível agravamento de acusações contra o Temer, diante da expectativa de “delações-bomba” de antigos aliados do presidente, como o ex-deputado Eduardo Cunha. “Honestamente, não seria correto da minha parte falar sobre isso na ausência do presidente”, encerrou.

Pela linha sucessória, na ausência de Temer, quem assumiria a Presidência da República seria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está na Argentina. A ausência de Maia foi vista, nos bastidores do Planalto, como mais um indício de distanciamento em relação a Temer. O parlamentar tem sido cauteloso e adotado postura de “neutralidade”, já que assumirá o Executivo federal caso a Câmara autorize abertura de processo contra Temer.

Com informações O Povo Online