8 de julho de 2017

Crescem na Câmara articulações em torno de Rodrigo Maia

Crescem na Câmara dos Deputados as articulações em torno do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para sua possível ascensão ao comando do Executivo em caso de queda do presidente Michel Temer (PMDB). 

Embora o discurso oficial de Maia seja o da “lealdade” ao peemedebista, parlamentares afirmam que “é nítida” a mudança de postura do deputado e que é cada vez mais aberta, no Congresso, a tentativa de emplacá-lo no Planalto.

“A temperatura na Câmara está esquentando contra o Temer e há, sim, principalmente no PSDB e no DEM, uma tentativa de emplacar Maia”, relatou o deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), que é da oposição ao bloco. “É natural que num processo de debate sobre um quadro sucessório, as forças se movimentem pela governabilidade. Pela posição que o Rodrigo ocupa, ele é o epicentro da política nacional hoje”, acrescentou o deputado Danilo Forte (PSD-CE).

Ontem, Maia minimizou fala do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que defendeu a debandada tucana do governo e disse que Maia poderia ser uma solução para a crise política e de governabilidade do Brasil. “Eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto e serei com Temer”, disse o democrata, em Buenos Aires. Questionado sobre o movimento, Maia disse ser “pura especulação” da imprensa.

Nos bastidores, entretanto, a postura de Rodrigo Maia seria outra. Circulam informações de que, nos últimos dias, ele buscou se reunir com agentes econômicos, analistas de bancos como Santander e Itaú, economistas, diretores de empresas como a Ventor, dentre outros líderes do mercado. “Ele quer mostrar que tem estatura, está preparado para a função, que não é verde como sugerem”, disse um dos agentes que participaram de encontro recente com o presidente da Câmara, que tem 47 anos e apenas uma passagem pelo Executivo. A informação é do jornal Valor Econômico.

Em outra frente de articulações, Maia também teria se comprometido a manter parte do ministério de Temer, sobretudo na área econômica. Ele, contudo, também é alvo de inquéritos no STF. Recaem sobre ele citações de delatores da Odebrecht sobre repasses, via caixa dois, nas eleições de 2008, 2010 e 2012.

O governo tem minimizado o que chama de “especulações” sobre o comportamento de Maia, mas resposta às declarações de Tasso Jereissati foi dura e partiu de várias frentes simpáticas à permanência do PSDB na base do governo.

Um dos principais defensores de Temer na Câmara, o deputado Carlos Marun disse ao jornal O POVO que a manifestação de Tasso foi “infeliz, nefasta e antipatriótica”. “Eu até respeitava o senador, mas depois dessa...”, criticou. Marun reconheceu que o crescimento do nome de Maia no atual cenário incomoda e que o governo prepara uma contraofensiva. Questionado sobre detalhes das “armas” que serão utilizadas, Marun falou em “convencimento”.

Durante reunião do G20, na Alemanha, Temer foi perguntado sobre a postura de Rodrigo Maia. O presidente minimizou: “Acredito plenamente nele, ele só me dá provas de lealdade”, afirmou.

Temer afirmou que está tranquilo com a posição do PSDB sobre o governo e que tem “zero” preocupação com uma debandada de membros de sua base aliada.. O PSDB anunciou ontem que fará uma reunião na próxima quarta-feira para discutir se desembarcará do governo.

Apesar da “elegância” do governo em relação a Rodrigo Maia, a base não poupou críticas a Tasso Jereissati. O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que o líder nacional do partido não pode tomar “decisões individualmente”. O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse que a fala de Tasso “é um absurdo”.

A manifestação do tucano cearense, no entanto, não foi a única do partido que incomodou. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) disse, em reunião com investidores, que “dentro de 15 dias, o País terá novo presidente”.

A denúncia contra Temer por corrupção passiva será votada em breve na Câmara. Se a admissibilidade da denúncia for aprovada, Temer é afastado pelo STF por 180 dias, dando lugar temporariamente a Maia.

Com informações O Povo Online