22 de julho de 2017

O resultado que chega à ponta por Érico Firmo

Terminais instalados em hospitais estaduais para usuários avaliarem atendimento (Foto: Evilázio Bezerra)
O Governo do Estado lançou nesta semana interessante iniciativa para ouvir a população como parte da avaliação da saúde. Escutar diretamente quem busca os serviços é a melhor forma de construir diagnóstico consistente e realista. É o meio mais adequado para corrigir problemas e potencializar acertos.

O caminho adotado na saúde serve para pensar no que ocorre na segurança pública. Tratei do assunto ontem: a secretaria responsável apresentou o balanço daquilo que fez. Mostrou o quanto foi realizado, embora os resultados não apareçam. Se muito foi feito e o cenário piorou, talvez a estratégia não seja a melhor. O fundamental é observar o resultado na ponta. Qual o efeito concreto da política pública.

Isso esteve no centro da política de segurança quando deu resultado. Sistema rigoroso e transparente de estatísticas, com premiações para quem alcançasse os resultados esperados. A tentação dos gestores públicos é olhar para aquilo que fez. Para a população, interessa o impacto real.

Construir escola e contratar professor é fundamental, mas o resultado precisa ser a melhora na aprendizagem, redução da evasão escolar. É importante construir hospitais e contratar profissionais, mas o objetivo é reduzir a mortalidade e a incidência de doenças. Contratar policiais, comprar equipamentos, prender criminosos e apreender armas é necessário. Como forma de reduzir a violência.

O governante não pode olhar apenas para as ações sem se preocupar se está surtindo o efeito desejado. É necessário observar se o objetivo final foi alcançado.

Não é raro haver descompasso entre o que se vê na propaganda dos governos e o relato de quem precisa dos serviços públicos. A melhor publicidade para qualquer governo é política pública que chega até as pessoas e tem efeito direto na vida das pessoas.

Publicado originalmente no portal  O Povo Online