25 de agosto de 2015

Qual o real impacto do corte de ministérios de Dilma?

Pressionada, a presidente Dilma Rousseff (PT) cedeu aos pedidos da oposição e anunciou ontem cortes na máquina pública. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, adiantou que, até setembro, dez ministérios devem ser extintos ou fundidos. Para especialistas e parlamentares, o gesto terá efeitos para além da redução de custos.

“Muito maior que o impacto financeiro é o impacto político. Vamos apertar o cinto: vender imóveis, economizar com energia e transporte. É uma ação enérgica em todas as direções”, explica o líder do governo na Câmara, o deputado federal José Guimarães (PT-CE). 

De acordo com o parlamentar, a reforma atende a demanda da sociedade e do parlamento. A presidente informou que mil cargos de confiança serão cortados do quadro com 22 mil comissionados. “Queremos também reduzir secretarias em ministérios que não serão extintos”, declara Dilma. Segundo ela, a reforma tem caráter “mais estruturante”. Barbosa complementa: “É vital e crucial aumentar a produtividade dentro do governo”.

Para o economista da Universidade Federal do Ceará (UFC), Andrei Simonassi, existe a possibilidade de o corte ser apenas simbólico. “Em tese, os gastos devem cair. Isso se não aumentarem as secretarias e os recursos de outros ministérios que permanecerão”, analisa. Ele alerta ainda que há risco de enfraquecimento político, já que haverá, pelo menos, dez pessoas a menos negociando em favor da presidente.

A historiadora da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Aquino, atenta para fator que limita os benefícios do pacote. “É necessário ver o que o corte representa em termos de emprego e desemprego. Reduzir a máquina desemprega pessoas, mesmo que estejam ali por indicação”, avalia a pesquisadora. Aquino pondera, no entanto, que reduzir o poder de barganha do governo tem efeito positivo. “Talvez tire um pouco dessa troca de cargo por apoio”, diz.

Segundo o senador Eunício Oliveira (PMDB -CE), parte da base governista, a atitude manda uma mensagem esperada. “É uma sinalização de que o governo está preocupado com a crise e buscando saídas”, comenta.

A reforma ministerial tem sido uma das reivindicações mais recorrentes da oposição desde 2014. Finalmente ouvidos, oposicionistas afirmam que a decisão veio tarde e é insuficiente.

“É preciso apresentar proposta ampla. Fazer a fusão e extinção de estatais onde há mais casos de corrupção”, argumenta o deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE). O parlamentar também diz que o gesto parece ter sido mais “jogada de marketing que vontade de mudança”.

No setor empresarial, o presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC), José Dias Vasconcelos, tece críticas. “A reforma é excelente, mas chegou tarde. Era para ter feito a partir da divulgação da crise”, afirma.

Com informações O Povo Online