20 de abril de 2016

“Belas, recatadas e do lar” por Luiza Erundina

Em mais uma demonstração de machismo dentro das discussões políticas, uma revista de alcance nacional colocou Marcela Temer como a primeira-dama ideal, por ser "bela, recatada e do lar", além de usar vestidos no joelho e tons claros. 

Além de já ter tirado a presidenta do seu cargo, fez um texto que mais parecia dos anos 1940, em um desserviço para a sociedade.

Em tempos como os atuais, com uma mulher como chefe de Estado, depois de uma primavera feminista no ano passado e a retomada dos movimentos feministas no país, é inadmissível que um veículo de comunicação perpetue a imagem da mulher-objeto.

É ainda um recado à própria presidenta da República. A primeira mulher a ser eleita e reeleita para o cargo. Uma mulher que resistiu contra a ditadura militar, foi barbaramente torturada. E que recebe tratamento diferenciado dos meios de comunicação e da sociedade pelo fato de ser mulher e ocupar a posição que ocupa, subvertendo a ordem posta, o que se espera de uma mulher.

Em nenhum momento a crítica é para Marcela Temer. Ela é totalmente voltada ao semanário, que coloca Marcela como o padrão a ser seguido por toda mulher. Nós, mulheres, podemos fazer a escolha que quisermos. Seja cuidar da família, seja dirigir um país!

Machistas não passarão!

Na foto de 1990, Erundina, então prefeita de São Paulo, com o skatista Paulo Anshowinhas, depois de ter revogado a decisão de Jânio Quadros de proibir o skate.