26 de abril de 2016

Com PSDB rachado, Temer tem dificuldade para montar equipe

Maior força de oposição ao governo Dilma Rousseff, o PSDB segue dividido sobre sua participação em eventual governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB). 

Com primeira reunião da comissão do impeachment do Senado marcada para hoje (26/04), o racha tucano é má notícia para o vice, que corre contra o tempo para montar equipe que sinalize estabilidade para um País dividido. 

Nos últimos dias, membros da cúpula do PSDB anunciaram que irão propor punição a integrantes do partido que aceitarem integrar o governo do peemedebista. A tese é defendida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e pelo presidente da sigla, Cássio Cunha Lima (PB). O partido deve fechar questão sobre o tema em reunião na próxima terça-feira (03/05).

Para críticos à adesão, a sigla deve garantir apoio a Temer no Congresso, mas abdicar de indicar ministros. Secretário-geral do PSDB, o deputado Silvio Torres (SP) defende que tucanos que queiram assumir cargo se licenciem da sigla e não disputem eleição em 2018. Para o deputado, adesão teria “conflito de interesses” e desequilibraria a corrida eleitoral.

Ala do senador José Serra (PSDB-SP), no entanto, classifica a proposta como “sem sentido”. “Seria bizarro o PSDB ajudar a fazer o impeachment de Dilma e depois, por questiúnculas e cálculos mesquinhos, lavar as mãos e fugir a suas responsabilidades com o País”, disse Serra em sua página do Facebook. Amigo pessoal de Michel Temer, o senador se reuniu ontem (24/04) com Temer no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência.

Atualmente, Serra é cotado para diversas pastas de peso no governo Temer – entre elas Fazenda, Planejamento, Educação e Saúde. “Não tenho na cabeça a história de ministério ou não. É um assunto que vai ser posto mais adiante”.

Além do PSDB, Michel Temer também estaria encontrando resistências para formar sua equipe econômicoa Nos últimos dias, o vice realizou diversas reuniões para tentar fechar nomes para o setor, mas não tem recebido confirmações dos sondados.

No sábado (23/04), Temer se reuniu com o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. No domingo ele também conversou com o líder da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) é cauteloso ao tratar de possível governo Temer. Em entrevista coletiva, o mineiro disse ontem que Michel Temer tem "o direito" de convidar quem ele quiser para seu governo, mas reiterou que qualquer designação não será feita em nome da legenda.

"Quem monta o governo é o presidente. O nosso apoio independe de qualquer membro do partido participar do governo", disse. Aécio destaca que a sigla definirá conjunto de oito a dez medidas que serão entregues oficialmente à Temer como uma agenda a ser aplicada em seu governo.

No último fim de semana, direção do partido criou um grupo no aplicativo WhatsApp para debater o caso.

Com informações O Povo Online