14 de abril de 2016

Governadores liberam secretários para votação

Dilma durante reunião com governadores no Palácio do Alvorada no ano passado (Foto: Ichiro Guerra)
Pelo menos 20 deputados federais que ocupam secretarias de Estado podem voltar à Câmara em articulação dos governadores para votação do pedido de impeachment de Dilma Rousseff neste domingo. Na tarde de hoje, Camilo Santana (PT) entra no movimento, com reunião marcada com o deputado Adail Carneiro (PP), atualmente licenciado para ocupar cargo na gestão petista. 

Ao todo, podem reforçar bancadas 15 deputados a favor do pedido e outros cinco contra. Além de “afastar” suplentes que não votem conforme seus interesses, governadores têm usado estrutura dos Estados para pressionar parlamentares na votação.

Na semana passada, por exemplo, cúpula do PSDB aprovou posição pró-impedimento, incluindo ação dos seis governadores da sigla pela busca de votos em seus estados. Já o governador da Bahia, Rui Costa (PT), participa de reuniões com partidos aliados desde a terça-feira em Brasília. Costa teria conquistado cinco votos do PSD baiano.

Em São Paulo, cinco secretários de Geraldo Alckmin (PSDB) deixaram o governo só neste mês - todos votam pelo afastamento de Dilma. Já Wellington Dias (PT), do Piauí, exonerou o secretário de Segurança e a primeira-dama do Estado, Rejane Dias (PT), que votarão contra o pedido.

No Ceará, único secretário cotado para deixar o cargo e voltar à Câmara é o assessor especial do governo em Brasília, Adail Carneiro. Atualmente, ocupa a vaga o suplente Paulo Henrique Lustosa (PP), que ainda não definiu seu voto no processo. “O governador me chamou para conversar, o que deve ocorrer já hoje”, confirma Adail.

Sem antecipar conteúdo da conversa, o deputado está hoje “em cima do muro”, sem confirmar voto a favor ou contra o impeachment. “Essa questão a gente precisa estar bem atento. Eu, tecnicamente, não vejo motivo para impeachment, mas tem a vontade da sociedade. A gente tem que estar atento ao nosso governador, mas também ao partido”, disse.

Outros dois deputados cearenses licenciados, Antônio Balhmann (PDT) e André Figueiredo (PDT), permanecem afastados porque seus suplentes, Vicente Arruda (PDT) e Ariosto Holanda (PDT), votarão contra o impeachment.

Primeiro governador do PT no Ceará, Camilo tem tido atuação mais tímida do que a de outros governadores do Nordeste em torno do impeachment - especialmente os petistas. Procurada pelo O POVO, a assessoria do governo do Estado afirma que o gestor tem mantido “reuniões de sempre” com deputados, mas nenhuma para tratar especificamente do afastamento.

Adail, Lustosa e o deputado Arnon Bezerra (PTB) afirmam não ter participado de reuniões sobre o tema com Camilo. O POVO apurou, no entanto, que o petista tem mantido encontros com parlamentares na busca por votos contrários ao impeachment.

Além dos cinco deputados, pelo menos quatro ministros com mandato de deputado podem deixar os cargos para votar contra o impeachment. São eles os peemedebistas Marcelo Castro (Saúde), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Mauro Lopes (Aviação Civil) e o petista Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário).


Com informações O Povo Online