6 de dezembro de 2017

“A arte da guerra política” por Érico Firmo

Conquistar sem combate é a melhor síntese da estratégia política de Camilo Santana (Foto: Tatiana Fortes)
“Conquistar cem vitórias em cem batalhas não significa o máximo da excelência. O máximo da excelência é subjugar o exército inimigo sem chegar sequer a combater”. A máxima foi ensinada pelo general chinês Sun Tzu, por volta do século V antes de Cristo, no mais antigo tratado militar conhecido — A arte da guerra. Conquistar sem combate é a melhor síntese da estratégia política de Camilo Santana (PT).

Foi, também, a utopia de Cid Gomes (PDT). Porém, a personalidade e o estilo do ex-governador não o favoreceram. Pela forma política que tinha, ele chegava a arregimentar grandes alianças. Porém, elas iam se desfazendo ao longo do governo. Cid gostava de se apresentar como pessoa de diálogo. De fato, conversava com todo mundo.

Porém, fazia questão de que sua posição prevalecesse por fim.

Queria, na verdade, convencer os outros a aderirem a suas ideias.

Como não cedia, não recebia o apoio pretendido.

Camilo é mais disposto a realmente dialogar. Assim, foi eleito contra oposição vigorosa — ao contrário do que ocorreu com Cid — e tratou de desidratá-la.

Assim, Camilo acaba por colocar em prática outro ensinamento de Sun Tzu: “A melhor inteligência militar é atacar as estratégias do inimigo, em seguida atacar suas alianças, limitando a junção de suas forças”.

No caso da oposição a Camilo, a estratégia e as alianças vêm a ser quase a mesma coisa. Pelo menos, o ponto de partida. Unir Tasso Jereissati (PSDB), Eunício Oliveira (PMDB) e Capitão Wagner (PR) era o ponto de partida do plano para derrotar Camilo. Essa articulação está seriamente minada.

O que poderia ser uma eleição acirrada caminha para se tornar frágil pela falta de adversários. Capitão Wagner (PR) é quem demonstra mais disposição. Porém, sem Eunício e sem Tasso como candidatos, será difícil ter uma chapa competitiva. Se é ótimo para o governante, a falta de alternativa real de poder é ruim para o eleitor. Para a própria democracia.

Com jeito encabulado, discreto, Camilo demonstra insuspeito conhecimento da arte de guerrear. Bom para ele e talvez para mais ninguém.

Publicado originalmente no portal O Povo Online