30 de dezembro de 2017

“2017: O ano em que a eleição começou mais cedo no Ceará” por Letícia Alves

Dois mil e dezessete virou ano de eleição no Ceará. Os embates eleitorais frequentemente não esperam julho, o mês da largada oficial das campanhas, para começar, mas dessa vez houve mais pressa — apesar dos discursos reiterados do governador Camilo Santana (PT), aliados, opositores e ex-opositores de que todas as movimentações da peça do jogo eram, ainda, meramente institucionais.

O governador terminou o ano com o partido que outrora era seu maior opositor na Assembleia Legislativa, o PMDB, majoritariamente ao seu lado. Conseguiu também o apoio do PMB, sigla que compunha o bloco de oposição PMDB/PSD/PMB, e o DEM, conquista do prefeito Roberto Claudio (PDT) junto ao seu vice Moroni Torgan (DEM).

O enfraquecimento da oposição foi coroado com a aliança, cada vez mais admitida e possível, entre Camilo e Eunício Oliveira (PMDB), presidente do Senado. Entre novembro e dezembro, ambos realizaram diversos atos políticos juntos, na Capital e no interior do Estado, onde trocaram elogios e agradecimentos públicos.

A nova amizade dos ex-adversários levou a oposição a alçar o senador Tasso Jereissati (PSDB), governador do Ceará por três ocasiões, à possível candidato em 2018. O tucano negou mais de uma vez, mas o seu partido continua apostando no nome. Também gerou o maior embate entre os antigos aliados Tasso e Ciro Gomes (PDT), que se acusaram mutuamente de trazer a “oligarquia” de volta ao Estado.

Quem se fortalece com essa conjuntura é o deputado estadual Capitão Wagner (PR), que vem se preparando para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados ou no Senado, mas admite que pode concorrer ao Governo do Estado. A dúvida sobre quem representará a oposição, porém, adentra 2018 mesmo após um ano que antecipou as eleições.

A DIVISÃO DO PT

Uma bomba-relógio pulsa dentro dos diretórios do PT local. Na sigla estadual, há divisão sobre postura do governador Camilo Santana, que, ao mesmo tempo em que não declara apoio a Lula à Presidência da República, dá sinais claros de defesa do nome de Ciro Gomes (PDT). A aliança que tem se formado entre Camilo e o senador Eunício Oliveira (PMDB) também é um tema que desune a legenda.

Enquanto uma ala fala claramente contra a composição, outra, representada pelo presidente De Assis Diniz, a vê com bons olhos. A preocupação é de que Eunício pegue uma das vagas do PT ao Senado, cargo que o partido não quer abrir mão. Na sigla municipal, há dois presidentes: o atual, vereador Acrísio Sena, atua como base do prefeito Roberto Cláudio (PDT); e o que assume em junho, ex-vereador Deodato Ramalho, tem postura oposta. A decisão de dividir a direção, tida como “pacífica” em 2017, pode explodir na eleição e gerar uma crise já prenunciada.

AL-CE - O EMBATE TCM

Assunto que dominou as discussões da Assembleia Legislativa foi a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM). De autoria do deputado Heitor Férrer (PSB), a PEC ganhou contornos de disputa política entre os grupos dos Ferreira Gomes e de Domingos Filho, antigos aliados. Neste ano, o órgão foi extinto e o caso judicializado pela segunda vez. Enquanto a matéria esperava julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), novo embate se formou na escolha do conselheiro que substituiria Teodorico Menezes no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Enquanto a base apoiou o nome de Ernesto Saboia, que foi empossado, Heitor entrou na Justiça na defesa do nome de Manoel Veras. Em outubro, o STF confirmou a extinção do TCM, mas caso do conselheiro ficou para 2018.

Publicado originalmente no portal O Povo Online