18 de dezembro de 2017

ALTANEIRA E SUA HISTÓRIA por Adriano de Sousa

Uma cidade pequena
Bem simples é sua gente
No seio do Cariri
Sua história é envolvente
Os filhos da terra a chama
Nova e inteligente.

Cidade ainda nova
Há bem pouco emancipada
Bem no alto da montanha
Está bem edificada
Cinquenta e nove anos
Por sete mil adorada.

Leiam o meu cordel atualizado sobre a História de Altaneira:

ALTANEIRA E SUA HISTÓRIA

Ao leitor peço licença
Para aqui registrar
A história d’uma terra
Que em verso hei de contar
Minha Altaneira querida
Quero homenagear.

Foi Vila Santa Teresa
Está nos anais escrito.
Um chão muito abençoado
Seu nome era seu mito,
Mas no domínio das rédeas
Estava Farias Brito.

Farias Brito de hoje
Quixará antigamente
Em um toma lá, dá cá
Perde e ganha novamente
Do outro lado Assaré
Torna a briga mais frequente.

Na vila de poucas casas
Uma capela existia
Uma santa padroeira
Todo o povo protegia
Um padre de Assaré
Atendia a freguesia.

Uma santa carmelita
Sua santa padroeira
Santa Teresa de Ávila
Uma estátua em madeira
Elpídio Ricardo doa
Provando fé verdadeira.

Manoel Pinheiro Almeida
Prefeito Municipal
Da cidade Quixará
Homem de potencial
Quis emancipar a vila
E teve apoio total.

O padre da freguesia
Davi Augusto Moreira
Intelectual de nome
De família hospitaleira
Deu a mais nova cidade
O nome de Altaneira.

Na convenção do partido
Em um palanque armado
O candidato a prefeito
Foi ali assassinado,
Mas Francisco Fenelon
Deu conta do seu recado.

E em cinquenta e oito
Foi por lei e por decreto
Dada a autonomia
E polo voto direto
Altaneira conquistou
Glória e poder completo.

Um município pequeno
De baixa economia
De dificuldades tantas
Como tudo principia,
Mas de um povo dotado
De muita sabedoria

Com um distrito somente
Conta a população
Donde se extrai a cal
Com extensa produção
Padroeiro, São Francisco,
Mas o nome é São Romão.

As terras de Altaneira
Seguindo a mesma linha
Conta com pequenos sítios
Um a um se avizinha
Tem a Serra do Valério,
Taboleiro, Taboquinha.

Quem não sabe onde começa
Não sabe onde se finda
Sítio Poças agradece
Também dá a boa vinda
É a emenda das duas
Altaneira – Nova Olinda.

E se falando em saúde
Churumelas não aceite
A saúde desta terra
Era simples, sem enfeite.
O hospital era da
Fundação Furtado Leite.

O seu povo padeceu
Um período tão sofrido
Fechado o hospital
E Eluizo Corrido
Tudo ficava nas mãos
Do “quase” doutor, Seu Quido.

A água, bem natural,
Para toda criatura,
Mas em Altaneira, não!
Só sofrer e amargura
Para salvação do povo
Cacimbão da Prefeitura.

Lavação de roupa suja
No rumo de Assaré
Num terreno sem tamanho
Aberto a quem quiser.
Só no Açude Barragem
Dois quilômetros a pé.

Mulheres lavando roupa,
Criancinhas a brincar,
Homens carregando água
Roupas no mato a quarar,
Maria Caxuxa doida
Perturbando sem parar.

Três dias do mês de junho
Depois das águas de maio
Se fazia vaquejada
Muito boa, sem ensaio.
Dr. Eluizo a frente
Depois Afonso Sampaio.

Em outubro, nove noites
São dedicadas a santa
Padroeira da cidade
Um festejo que encanta
Santa Teresa de Ávila
Toda Altaneira canta.

A fé sempre foi a mesma
Desde o Padre Sabino,
Depois Padre Agamenon
Tão dedicado ao divino
Até criar-se a paróquia
Pelo Padre Adelino.

Tudo isto na matriz
Pois na capela inicial
São José é festejado
Com dedicação total,
Mas a festa ganhou forma
Foi com Vileci Vidal.

Já em campanha política
Tem um povo sem igual
O eleitor participa
Até chegar ao final
Pra ver o seu candidato
Prefeito municipal.

De Paletó e Felipe,
Digo sem haver enganos,
O nosso eleitorado
Foi dividido há anos.
Hoje uns são pés-de-boi
E os outros são tucanos.

A educação está
Seguindo o seu destino
As escolas vem há muito
Ampliando o seu ensino
Escola Santa Tereza,
Escola Joaquim Rufino.

A 18 de Dezembro
Dá conta do seu recado
Ensino Fundamental
Sempre bem qualificado
Escola Fausta Venâncio
Prepara o alunado.

Tudo está diferente
Neste momento atual
Prefeitos que se seguiram
Fizeram o hospital
E a Euclides Nogueira
A honra especial.

Água tem em abundância
Para usar a vontade
O Açude Pajeú,
A grande felicidade
Uma légua de açude
Mantém a comunidade.

Da memória do seu povo
A historia não apaga.
As vaquejadas agora
Não tem mais a mesma saga
Chico Alencar foi trocado
Por João Almeida Braga.

Pertenceu a Nova Olinda
Quando ainda Capela,
Mas hoje é Paróquia
Tem padre próprio que zela.
A matriz foi reformada
Ficou espaçosa e bela.

Altaneira cresceu muito
Deu um salto bem a frente
Tem um povo preparado
De atitude decente
Por isso o povo a chama:
Nova e inteligente.

O orgulho do seu povo
Sabedoria, grandeza
Vem da história de luta
Dum povo que tem certeza
Ter as bênçãos derramadas
Da Virgem Santa Teresa.

O poeta altaneirense Francisco Adriano de Sousa é presidente da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe-CE