27 de dezembro de 2017

"Chutando quem já está caído" por Plínio Bortolotti

Paulo Maluf foi preso, condenado por lavagem de dinheiro. Vi repórteres e comentaristas tripudiarem sobre o político, que foi umas das figuras mais importantes do País, para o mal, digo. Maluf merece ser punido; mesmo assim, não me incluo entre os que se divertem por vê-lo preso.

Qual a diferença de Maluf hoje, com 86 anos e doente, estar atrás das grades ou em prisão domiciliar? Um coisa é reivindicar justiça; outra - bem diferente - é humilhar quem está sem condições de se defender, mesmo tendo cometido ignomínias em sua vida.

Alguns dos que faturam hoje em cima da desgraça de Maluf - uma carta fora do baralho político - o incensavam ontem, quando ele era um poderoso personagem da política brasileira: inclui-se neste rol certa emissora de TV. Uma folha de S. Paulo cometeu a indignidade de informar que o deputado está usando fraldas. Porém muitos dos que chutam o descaído Maluf continuam a fazer reverências a Aécio Neves, aquele que pediu adjutório de R$ 2 milhões a Joesley Batista. Afinal, o senador, apesar de ter cambaleado ao levar um tiro de garrucha, ainda está livre para continuar suas patranhas - e por isso mete medo.

Vejam a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal. Ela foi dura com Maluf. Confirmou a prisão dele, lembrando que o processo corria há mais de 11 anos, devido a medidas protelatórias dos advogados do réu. Mas teve comportamento diferente ao julgar o caso de Aécio Neves (PSDB), permitindo ao Senado definir se medidas cautelares poderiam ser aplicadas a ele. São casos diferentes, pode-se se alegar. Certo. Porém nem tanto. Depois dessa decisão “protelatória” da ministra, quanto tempo se vai esperar pelo julgamento de Aécio?

Quem sabe quando - e se - Aécio for condenado, os áulicos de hoje serão os valentes detratores de amanhã. A começar por aqueles que, sorrateiramente, já começam a apagar das redes sociais suas ligações com o senador mineiro.

Publicado originalmente no portal O Povo Online