18 de agosto de 2018

Alfinetadas e troca de acusações marcam segundo debate entre presidenciáveis

Candidatos no estúdio da Rede TV, em São Paulo, para participar do debate (Foto: Nelson Almeida)
Quem ficou prejudicado no primeiro debate entre os presidenciáveis tentou ganhar musculatura no evento promovido ontem pela Rede TV!. Foi o caso de Marina Silva (Rede), que cresceu ao atacar Jair Bolsonaro (PSL) em questionamento envolvendo a remuneração das mulheres. Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos) e Guilherme Boulos (PSol) entraram e saíram com o mesmo peso, enquanto Cabo Daciolo (Patriota) teve o isolamento evidenciado pela falta de perguntas dos adversários.

Oito dos 13 candidatos à Presidência da República participaram. Na última quinta-feira, o ministro Sérgio Banhos, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou um pedido do PT que buscava permissão para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participar do debate. Foi colocado um púlpito vazio para Lula, mas o espaço acabou retirado após pedido dos adversários. O único contrário à remoção foi Boulos.

O ponto alto do debate foi a discussão entre Bolsonaro e Marina. Os demais candidatos aparentavam tranquilidade. A possibilidade de escolher o adversário para discutir os temas fez com que houvesse uma verdadeira troca de figurinhas entre eles. Alckmin, por exemplo, se aproximou de Ciro. Marina fez o mesmo com Álvaro Dias. Meirelles e Boulos acabaram juntos em vários momentos, ainda que com baixo rendimento. Daciolo, rejeitado por todos, acabou com Bolsonaro na maior parte do tempo.

No embate entre Marina e Bolsonaro, a candidata da Rede questionou o ex-capitão do Exército sobre a paridade salarial entre homens e mulheres. Bolsonaro até tentou reagir, citando que Marina era a favor de um plebiscito sobre descriminalização das drogas e do aborto, mas a ex-senadora voltou à carga, deixando Bolsonaro visivelmente irritado. "Quando a gente é presidente, não pode fazer vista grossa, dizer que não precisa se preocupar. Precisa se preocupar. Precisa defender a injustiça", disse Marina.

Em outro momento, Bolsonaro perguntou a Marina se ela era a favor do desarmamento. "Não", respondeu. E aproveitou para atacar o capitão, falando sobre a diferença de salário entre homens e mulheres. Bolsonaro contra-atacou: "Temos uma evangélica que defende plebiscito para aborto e maconha", disse. "Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência. Você fica ensinando os nossos jovens que têm que resolver na base do grito. Esses dias você pegou na mão de uma criança e ensinou a atirar. E esse ensinamento que quer dar a nossas crianças", rebateu Marina.

Álvaro Dias e Ciro Gomes aparentavam estar mais à vontade que no primeiro debate, semana passada. Alckmin e Meirelles não se destacaram tanto. Daciolo — cuja fórmula excêntrica em torno da religião deixou de impressionar — e Boulos — que abusou das frases feitas e despertou críticas na internet — ficaram isolados.
Robôs

No debate da Rede TV!, suspeitas sobre uso de robôs nas redes sociais voltaram a ser levantadas. Na semana passada, o Correio revelou que o encontro dos presidenciáveis, na TV Band, chegou a ser assunto do momento na Rússia. A reportagem mostrou movimentos atípicos detectados na rede na noite de quinta-feira. A pedido do Correio, o professor Fábio Malini, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da UFES, levantou as referências a quatro candidatos durante o debate da Band: Bolsonaro, Ciro, Alckmin e Marina.

A partir dali foi possível dividir publicações por idiomas. Procurado, o Twitter informou "que conduziu a própria investigação sem identificar ações coordenadas em relação a hashtags". A suspeita de marqueteiros foi a de que pudesse ocorrer compra ou aluguel de contas russas, por exemplo, para produzir tuítes em massa. O TSE, por sua vez, prometeu, na sexta-feira, baixar resolução com regras para atuação nas redes. Não confirmou absolutamente nada até o momento. Ontem, o Twitter reforçou os desafios a contas falsas na rede. E, hoje, vai apresentar relatórios sobre os movimentos na rede.

Com informações portal Correio Brasiliense