8 de setembro de 2016

"Um (não)-presidente" por Ítalo Coriolano

No primeiro teste como presidente de fato do País, o que se viu foi um Michel Temer fazendo de tudo para não parecer tão presidente assim. Foram atitudes simbólicas que dizem muito do momento político que vivemos.

Sem a tradicional faixa no peito e recusando desfilar em carro aberto, o peemedebista se descaracterizou da figura de principal autoridade do País, talvez na esperança de evitar qualquer tipo de constrangimento ou atiçar opositores. Mas não deu muito certo.

Vaias ecoaram pela Esplanada dos Ministérios, assim como aconteceu no Estádio do Maracanã durante a abertura das Olimpíadas. Episódio que veio a se repetir com mais força ontem no mesmo local, por ocasião do início oficial das Paralimpíadas, apesar de todo o cuidado de tornar a presença de Temer a mais discreta possível.

A própria população já parece preparada para "burlar" as tentativas de proteger o presidente. Quanto mais as autoridades tentam poupá-lo, maior é a reação. Os protestos nas ruas seguem a mesma lógica.

Quanto mais se tenta abafá-los, seja em discursos, seja em ações da Polícia, mais eles crescem. Temer, hoje, paga o preço de sua interferência exagerada no processo de impeachment, e qualquer ação impensada pode deixar o ambiente ainda mais caótico.

Será preciso muita perspicácia para compensar tanta falta de legitimidade. 

Publicado originalmente no portal O Povo Online