29 de maio de 2017

Em meio a crise, ex-ministro do TSE assume a Justiça

A pouco mais de uma semana para o julgamento da ação que pode cassar o seu mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente Michel Temer (PMDB) escolheu um ex-ministro da Corte para comandar o ministério da Justiça, pasta ligada diretamente à Operação Lava Jato.

Torquato Jardim assume no lugar de Osmar Serraglio (PMDB-PR), que estava no cargo há apenas dois meses ocupando o posto deixado por Alexandre de Moraes que se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). 

O peemedebista, assim, troca de lugar com Jardim e agora vai chefiar o ministério da Transparência.

A substituição de peças no primeiro escalação do Palácio do Planalto, em meio a uma crise política sem precedentes, gerou desconforto imediato entre delegados da Polícia Federal, que são subordinados ao ministério da Justiça.

O grupo se manifestou resistente a uma possível troca da chefia da PF. Através de nota, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) viu com “preocupação” a substituição no momento em que as investigações avançam e atingem peças de sustentação do Governo Federal.

“É essencial que seja instituído o mandato para diretor geral da PF, de modo que mudanças de governo ou de governantes não reflitam em interferências políticas, cortes de recursos e de investimentos que prejudiquem as ações da Polícia Federal”, cobrou o presidente da entidade Carlos Eduardo Sobral.

Questionado se fará mudanças na direção da Polícia Federal, braço direito da Lava Jato, o novo ministro disse que consultará Michel Temer, que passou a ser investigado por irregularidades no STF, antes de tomar qualquer decisão. “Tudo vai ser estudado e refletido. Vou ouvir o presidente Temer, o secretário-executivo, e fazer a minha própria avaliação antes de tomar qualquer decisão”, revelou à Globo News.

Amigo de longa data do presidente, Torquato foi ministro do TSE entre os anos de 1988 a 1996. Ele assumiu a pasta da Transparência, em maio do ano passado, após escândalo no governo afastar Fabiano Silveira.

O novo ministro da Justiça já chegou a criticar procedimentos da Operação Lava Jato no ano passado como as condenações sem provas, que foram reconhecidas pela Justiça Federal, e as extensas prisões provisórias.

Com informações O Povo Online