4 de maio de 2017

“Por que o nome de Lula resiste?” por Plínio Bortolotti

Claro que ainda é cedo para qualquer prognóstico; no entanto, a pesquisa do Instituto Datafolha sobre a intenção de voto para presidente nas eleições de 2018 é mais uma má notícia para o concerto político que sustenta o Governo Temer.

Mesmo com alta rejeição (45%), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em primeiro lugar - com 30% das intenções de voto - nas duas simulações apresentadas ao eleitor pelos pesquisadores. Em segundo lugar fica o deputado federal de extrema direita Jair Bolsonaro (PCS-RJ), empatado com Marina Silva, com algo em torno de 15% dos votos.

O PSDB fica muito mal na pesquisa - com Geraldo Alckmin, Aécio Neves ou o enfezadinho João Doria - e vê seu sonho presidencial esvair-se. O PMDB, pode-se afirmar com segurança, está fora do páreo: aprovadas ou não as reformas, Temer vai terminar o mandato com déficit de popularidade.

Quanto a Bolsonaro, ele “jamais terá base majoritária para vencer uma eleição”, afirma um dos mais importantes líderes do PT, Tarso Genro, que também é estudioso da política. Eu não apostaria nisso, pois, segundo Albert Einstein, há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana; porém, o gênio da física dizia ter dúvidas quanto ao universo.

Mas a pergunta é: por que, depois da peia que Lula levou da Lava Jato, da implicância do juiz Sergio Moro, das buscas da Polícia Federal, dos inquéritos do Ministério Público, das acusações de corrupção - e até do inolvidável Power Point do procurador Deltan Dallagnol -, ele ainda continua como o preferido dos brasileiros para voltar a governar o País?

Uma possível explicação é que as pessoas sentem saudades da estabilidade do governo dele, quando os pobres receberam o seu quinhão e os ricos continuaram faturando alto. A outra é que, olhando-se a paisagem política, vê-se a multidão de políticos metidos em algum malfeito. Entre eles, Lula talvez figure como o menos pior na visão dos pesquisados.

Publicado originalmente O Povo Online