3 de maio de 2017

Temer exonera aliados de deputados que votaram contra a reforma trabalhista

Cumprindo a promessa de punição aos deputados da base que votaram contra a reforma trabalhista na Câmara dos Deputados, o presidente Michel Temer (PMDB) iniciou série de exonerações de apadrinhados dos políticos considerados traidores.

As demissões de pelo menos cinco indicados a cargos foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) de ontem (02/05), uma delas no Ceará.

Integrantes do Governo afirmam, porém, que o número de exonerações é maior que 30 e que a maioria já aconteceu, mas ainda não foi publicada no DOU. A estimativa de Temer é de que houve cerca de 70 traições, mas o número de punidos não deve chegar à metade.

Isso porque o objetivo é mirar nos votos tidos como “irrecuperáveis”, daqueles deputados que também não irão votar a favor da reforma da Previdência, e servir de exemplo aos partidos que registraram grande número de infiéis.

A medida serve ainda como forma de pressionar indecisos sobre as mudanças na Previdência, cuja votação na comissão da Câmara deve acontecer já nesta semana. Temer deve reunir-se pessoalmente com as bancadas menores para conseguir mais votos favoráveis.

Foram três os deputados federais cearenses da base que votaram contra a reforma trabalhista: Cabo Sabino (PR), Ronaldo Martins (PRB) e Vitor Valim (PMDB). Com posição contrária às duas reformas, os parlamentares se enquadram na categoria de “votos irrecuperáveis”.

Até ontem (02/05), somente Valim teria tido um apadrinhado demitido, o superintendente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) do Ceará, Maximiano Leite Barbosa. O deputado, porém, negou a indicação.

“Até tenho grande admiração e amizade com ele, mas não fui eu que indiquei”, afirmou. A reportagem tentou contato com a Funasa, que não atendeu as ligações. Maximiano não foi localizado.

Valim admitiu pressão do partido para mudar o voto, mas nega ter traído o Governo. “Em dezembro de 2016, eu já me manifestei contra a reforma da Previdência e do trabalho, não foi surpresa para o partido meu voto”, disse. “Não considero traição votar a favor do trabalhador”, continuou o deputado.

A posição é a mesma de Sabino. “O Governo Temer sabe que eu venho da luta sindical, eu não poderia votar contra a minha gente”, respondeu ao O POVO.

Com informações O Povo Online