22 de outubro de 2017

“Aécio Neves ganhou mais perdendo” por Carlos Mazza

Tradicionalmente, se convencionou chamar “vitória de Pirro” aquelas conquistas que, obtidas a alto preço, acabam trazendo mais prejuízos a longo prazo do que benefícios.

Em bom português, é o famoso “ganha, mas não leva”. A expressão, em referência ao rei Pirro da Macedônia, tornou-se tão comum na política brasileira de uns anos para cá que perdeu boa parte do impacto - quase como comparar o cenário a uma temporada do seriado americano House of Cards.

Não existe, no entanto, expressão mais certeira para definir resolução da novela do afastamento de Aécio Neves no Senado. Vitorioso na Casa com apenas três votos a mais que o necessário, o tucano ganhou um direito que jamais conseguirá exercer de maneira plena.

Sumido do plenário do Senado desde o início da polêmica, é difícil imaginar discurso do parlamentar - rejeitado hoje até por quem votou por sua permanência na Casa, como Tasso Jereissati - que não traga apenas lembranças de seu pedido de dinheiro a Joesley Batista ou de documentos com anotação “cx 2”.

Há três anos, o candidato Aécio Neves alçou o PSDB, mesmo perdendo, ao ponto mais próximo que o partido esteve de vencer a Presidência da República em mais de uma década.

Agora, o senador Aécio ameaça implodir, mesmo ganhando, o partido que acompanha desde a fundação.

Publicado originalmente no portal O Povo Online