24 de outubro de 2017

“Quem influi na eleição é mídia, não é religião” por Fernando Brito

É patético – e contraproducente – o esforço da mídia, a esta altura, para tentar mostrar-se “não-bolsonárica”. Como é uma tolice criar uma clivagem religiosa no eleitorado com base em mínimas diferenças de intenção de votos, mais do que compreensíveis com o fato de que a pregação da “moralidade” – e raramente a prática – tem sido frequente em alguns líderes evangélicos.

Bolsonaro virou um fenômeno que, se dificilmente irá além dos 20% de pessoas, por alguma razão – e não é difícil ver que é a mídia é  esta razão –  estão desprovidas de equilíbrio emocional ou tomadas por uma fúria de “cognição sumária” dos problemas do Brasil.

Um doce para quem adivinhar quais são os únicos problemas – e as únicas soluções, portanto – de nosso país? Ah, sim: os safados, os sem-vergonhas, os corruptos, os políticos, os bandidos. Categorias semelhantes que se resolve com Moro e Bolsonaro, dependendo do nível de pudor, de escolaridade e de renda.

E olhe lá, porque uma parcela expressiva – e a maior entre todos – dos que estudaram mais e ganham mais acham  melhor é o mais selvagem deles.

O dano que fizeram a si mesmos não é difícil de mensurar. Sem o cavernícola, um candidato de direita como Dória poderia estar em segundo, passando dos 20%, ou o insosso Alckmin andar por ali.

Aliás, com Doria, experimentaram um discurso de grosseria que substituísse o Aécio de 2014, mas a matéria prima era pior.

Ainda sonham com mais um clone, Luciano Huck, mas não parece haver sinais de que os seus tubos de ensaio vão produzir uma criatura mais viável que o inviabilizado prefeito de São Paulo.

As bobagens se sucedem, como a matéria em que se diz que “Evangélicos impulsionam Bolsonaro e Marina e derrubam Lula, diz Datafolha”. É só olhar os dados e ver  que Lula lidera com folha tanto entre católicos quanto entre evangélicos e as diferenças que se registram ficam naquele pequeníssimo grupo que – também o registra a pesquisa – definem o voto por preferência religiosa.

Claro que há “nichos” fundamentalistas a serem ocupados pelas Marinas, Everaldos e congêneres. Mas Marina não chegou a 20% por ser evangélica, foi por ser adulada.

Faz tempo que a direita brasileira trocou a política pela histeria e o que se tem hoje é o resultado disso.

Não fosse assim, sem Moro, sem Bolsonaros, sem meninos ricos da TV, estaria com a faca e o queijo na mão para vencer em 2018.

Agora, sua esperança é fazer alguém que, como Collor, tenham de derrubar um ano depois, porque se transtornará com o poder e achará que é, de fato, um governante e não um agente de de interesses econômicos.

Continuo com a percepção que já venho expondo aqui que a direita percebeu tarde demais os monstros que criou.

E o pior deles não é o que virá, mas o que já está aí. Porque não há mais escapatória de que o “estigma Temer” venha a ser o maior divisor de águas do processo eleitoral.

E não há mais como o tucanato e a mídia deixarem de reconhecer a “maternidade” do golpe e do golpista.

Com informações portal O Tijolaço