21 de outubro de 2017

Disputa por comando do PSDB agrava tensões no partido

Senadores Aécio Neves e Tasso Jereissati travam briga pelo comando do partido (Foto: Antonio Cruz)
A queda de braço pelo comando do PSDB, travada pelos senadores Tasso Jereissati (CE) e Aécio Neves (MG), expõe ainda mais o racha no partido. O mineiro sofre pressão do cearense, que assumiu interinamente a liderança do partido em maio, após afastamento de Aécio por denúncias na Operação Lava Jato.

Tasso já defendeu publicamente a renúncia de Aécio do cargo. Há rumores de que o cearense articula, internamente, a saída do senador mineiro. Na última quinta-feira, 19, o tucano buscou apoio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em reunião em São Paulo que durou cerca de três horas.

O encontro, que ocorreu no apartamento de FHC, é confirmado pela assessoria de comunicação de Tasso. A equipe, no entanto, nega que o futuro de Aécio tenha sido o assunto principal da conversa.

Nos bastidores, a tese é de que as articulações de Tasso teriam feito Aécio recuar da decisão de deixar de vez a presidência do partido. A expectativa do senador seria renunciar ao cargo na última quarta-feira, 18, mas a movimentação do cearense levaram o correligionário a adiar a decisão.

Aécio deve se posicionar na próxima semana, prazo limite que Tasso teria dado, sob ameaça de ele mesmo renunciar à presidência interina da sigla. Ao O POVO, a assessoria do tucano alegou que essas informações não passam de rumores e que o senador ainda não se pronunciou sobre a continuidade de Aécio no cargo.

Aécio evitou comentar a disputa com Tasso na volta ao Senado, após a Casa derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal de mantê-lo afastado do parlamento. Perguntado sobre o futuro na presidência do PSDB, o tucano cutucou Jereissati dizendo: “Não trato de questões partidárias na imprensa”.

Os tucanos admitem que as tensões entre Aécio e Tasso ampliam ainda mais o racha interno do partido e podem trazer repercussões
para a sigla.

O deputado federal Guilherme Coelho (PSDB-PE) diz que, como investigado, Aécio Neves deveria mesmo ter se licenciado da presidência do partido, mas que cabe a ele a decisão de deixar o comando da sigla.

“Por legitimidade, ele tem esse direito. Se ele achar por bem, continuar na presidência, é uma decisão dele”, considera o parlamentar.

Deputado pelo PSDB de Minas Gerais, Caio Nárcio classifica as investidas de Tasso como “equivocadas”. Para ele, a situação “em nada ajuda a melhorar a unidade do partido”.

“Se o Aécio decidir continuar como presidente do partido, acontece o quê?”, avalia o parlamentar, dizendo que as articulações do senador cearense são “retóricas”. “Esse é o tipo de situação que o partido tem que sentar e resolver”, considera.

Com informações portal O Povo Online