8 de outubro de 2017

A força das redes sociais na briga pelo poder no Brasil

As redes sociais já são o principal meio de informação da maioria dos brasileiros que moram em grandes centros urbanos, segundo o Instituto Reuters, e o movimento inverso também é crescente: as discussões virtuais têm mostrado força para pautar o debate público e influenciar decisões políticas. 

O internauta, que é cidadão, expõe sua opinião, endossa repúdios, pressiona parlamentares e transforma a internet em praça pública e em ringue eleitoral.

Na últimas semanas, o “poder” da internet pôde ser observado nos casos das exposições de arte que causaram polêmica ao associar crianças à exposição da nudez. O “barulho” dos internautas gerou o cancelamento de uma exposição e motivou investigações do Ministério Público e uma proposta de mudanças na legislação por meio de legisladores.

Se o aumento da influência das redes sociais é praticamente consenso entre os especialistas, os efeitos desse movimento causam divergência: uma maior interação não significa, necessariamente, democratização e qualificação do debate.

Para o professor de jornalismo da UFC, Diógenes Lycarião, o “acesso democratizado” às informações carece de “uma maturidade política maior”. Mas ele pondera: “O fato de as pessoas estarem debatendo um tema de consonância política não deixa de ser um ganho democrático”. Ele também destaca, com preocupação, a onda de notícias falsas na rede.

Quando adentra em 2018, a análise dos efeitos da influência das redes torna-se ainda mais nebulosa. A tendência, porém, é que o acirramento do debate político se acentue e se manifeste no ambiente virtual como uma espécie de ringue eleitoral, onde quem ganha tem mais chances de se dar melhor na contagem de votos.

“O uso dessas ferramentas (digitais) está cada vez mais sistemático, mais especializado, essa é uma tendência sólida (...). Está claro que eles perceberam que é nessa arena que se ganha o jogo, ao menos parte do jogo será disputado nessa arena e quem jogar melhor vai ganhar uma parte importante”, avalia Diógenes.

Com informações portal O Povo Online