25 de janeiro de 2015

Por que o apagão ainda assusta?

O Brasil vive a maior crise de fornecimento de energia desde o racionamento de 2001. O abastecimento de água também está comprometido.

A imagem do apagão de 2001 é realidade cada vez mais próxima. Segundo consultoria PSR, uma das principais do setor elétrico, as chances de o País ficar no escuro são de 50%, Em dezembro, eram de 21%. 

O baixo volume de chuvas nos últimos anos, o aumento do consumo de energia e o mau planejamento na construção de hidrelétricas e diversificação da matriz são alguns fatores. 

O Operador Nacional do Sistema (ONS) divulgou relatório na última sexta-feira afirmando que o Governo deveria decretar racionamento para cortar até 5% do consumo no País.

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, admitiu possibilidade de racionamento caso os reservatórios fiquem abaixo de 10%.

O Sistema Nacional Interligado (SNI), pensado na década de 1960, não foi capaz de prever aumento de demanda. O consumo médio mensal das residências passou de 143,6 Kwh/mês em 2001 para 170,1 Kwh/mês em 2014, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O coordenador de energia da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce), Eugênio Braúna Bittencourt, recomendou que os consumidores possam racionalizar o uso da energia elétrica, poupando o máximo possível. “São medidas do lado da demanda já que a geração está com problema”, defendeu.

“A previsão não é nada animadora”, define Elias Sousa do Carmo, presidente do Sindicato das Indústrias de Geração, Transmissão e distribuição de Energia do Estado do Ceará (Sindienergia-/CE).

O rendimento médio da população evoluiu, passando de R$ 366 em 2001 para R$ 1.090 em 2013, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Isso se refletiu no número de eletrodomésticos nas casas. 33,64% das residências tinham máquinas de lavar; o percentual foi a 57,46%. A televisão saltou de 89,04% das casas para 97,16%.

A matriz elétrica, dependente da produção das hidrelétricas (62,8%), tem como principal benefício produzir uma energia limpa. No entanto, as últimas usinas construídas no País não conseguem suprir as necessidades em períodos de seca. Belo Monte e Rio Madeira, que estão em construção, não dispõem de reservatório de água.

“Quando falta água, falta 70% de energia”, criticou o presidente da Câmara Setorial de Energia Eólica e diretor do Sindicato da Indústria de Energia, Adão Linhares.

Ele disse ser necessário investir na geração de energia solar e eólica aproveitando a capacidade de geração que temos. As usinas nucleares seriam alternativa, mas as obras de Angra 3 estão atrasadas. Assim como, pelo menos, 35% das obras de geração do País.

Com informações O Povo Online