11 de janeiro de 2018

Altaneira ganha sua primeira Mestre em Arqueologia

Na última sexta-feira (05/01) a altaneirense Heloísa Bitú Ferraz obteve aprovação durante a defesa de sua dissertação de mestrado intitulada: O Sítio de Arte Rupestre Santa Fé - Crato/CE: Documentação e Diagnóstico Técnico de Conservação.

Heloísa ingressou no Curso de Pós-Graduação em Arqueologia pela Universidade Federal do Piauí - UFPI em 2015, com o desafio de estudar os problemas de conservação de um sítio de arte rupestre do Cariri cearense. 


No mestrado Heloisa contou com a orientação da Dra. Maria Conceição Soares Meneses Lage, doutora em Arqueologia, Antropologia e Etnologia pela Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), pesquisadora com ênfase em Arqueometria e Conservação de Arte Rupestre no Brasil, e co-orientação da Dra. Rosiane Limaverde, doutora em Arqueologia pela Universidade de Coimbra – Portugal e fundadora da Fundação Casa Grande de Nova Olinda-CE.


Participaram da banca a Dra. Sônia Maria Campelo Magalhães (UFPI), o Dr. Gregoire Andre Marie Ghislain Van Havre (UFPI), a Dra. Maria da Conceição Lopes (UC-PT) e a Dra. Vanessa Linke Salvio (UNIVASF), com a participação especial do Presidente da Fundação Casa Grande e Produtor Cultural: Alemberg Quindins.

No Auditório do Museu de Arqueologia e Paleontologia da UFPI a discente apresentou os propósitos e resultados de sua pesquisa.

“Vivemos um momento precioso! Um momento de partilha. Posso dizer que, percorremos um caminho longo, carregamos algumas perguntas na mochila, muitas dúvidas – eu diria que durante estes dois anos de pesquisa algumas foram se dissipando, outras ainda estão por resolver... mas nos confortou a certeza de que não estivemos sozinhos” defendeu Heloisa

Heloisa sustentou que a meta era documentar o sítio de arte rupestre Santa Fé no município de Crato/CE. Em especial os painéis, os grafismos e seus agentes de degradação.

“E para isso não poupamos esforços, sempre buscando as metodologias e as ferramentas de captura da realidade que estavam ao nosso alcance. Somos cientes de que a boa documentação é aquela que considera todos os aspectos físicos, as condições ambientais e de estado de conservação de um sítio arqueológico e consideramos este desafio imprescindível para o estudo da arte rupestre do Cariri, pois a qualidade desta documentação proporcionará a conservação do potencial informativo desse tipo de patrimônio”, sustentou.

A Mestre altaneirense disse ainda que como este tipo de trabalho exige um conhecimento interdisciplinar, foi uma felizarda em poder contar com o empenho dos meninos e meninas da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri e de pesquisadores de iniciação científica dos cursos de Geografia, de Biologia e das Artes visuais da Universidade Regional do Cariri – URCA e do Geopark Araripe, ligados ao Instituto de Arqueologia do Cariri Dra. Rosiane Limaverde – IAC, que gentilmente se dispuseram a enfrentar este desafio.

“Todo esse envolvimento, esse trabalho coletivo resultou nos decalques digitais das gravuras, dos painéis do abrigo e na plotagem destes seus problemas de conservação; e dessa maneira foi que pudemos relacioná-los aos agentes envolvidos nos processos de intemperismo das rochas, um estudo que proporcionará a elaboração de um plano de intervenção para a mitigação destes problemas com a devida qualidade e respeito que exigem esta prática”, escreveu

Heloisa disse também que espera que a informação obtida na pesquisa de mestrado possa contribuir significativamente para a elaboração de um plano de gestão daquele patrimônio, vislumbrando a possibilidade de que ele seja o primeiro sítio arqueológico do Cariri, aberto à visitação pública com o devido apoio e permissão dos órgãos responsáveis pela sua salvaguarda.

“Vale mencionar que essa pesquisa possibilitou, através do aproveitamento dos decalques da arte rupestre, a criação de uma coleção de T-shirts, desenvolvida pelo protagonismo juvenil do designer da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri – Filipe Alves, integrando-se aos projetos de empreendedorismo e desenvolvimento social e econômico desenvolvidos pela instituição”, finalizou.

A coleção “Santa Fé: História Gravada no Tempo” – promete não apenas uma possibilidade de melhoria da renda familiar, mas também o desenvolvimento de uma cultura de respeito, proteção e divulgação da cultura dos povos pré-coloniais da Chapada do Araripe.



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Confira outras imagens da defesa de Heloisa: