26 de janeiro de 2018

Quem vai ser presidente? por Érico Firmo

A redemocratização brasileira é recente - há menos de 30 anos se voltou a eleger presidentes de forma direta. Nesse curto tempo, a população vai captando os sinais e formando alguns entendimentos de como funciona eleição. Mais ou menos como partida de futebol, tenta-se definir favoritos, azarões e antever resultados. Chega-se a algumas conclusões e se passa a tratá-las como sinais quase imutáveis. 

Algumas talvez sejam, outras contrariam certezas. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está na iminência de ser impedido de concorrer - ao não deixá-lo viajar para o Exterior, deu-se recado claro que candidato é que não deixarão mesmo que seja. Então, algumas máximas das eleições emergem e são colocadas em teste.

As pessoas olham para Jair Bolsonaro (PSC-RJ, a caminho do PSL) e concluem que alguém com ideias tão extremistas, excludentes e agressivas não pode ser eleito num País diverso como o Brasil. Faz sentido.

Aí, observa-se o PSDB e suas quatro derrotas seguidas, as divisões internas no partido, as denúncias, a falta de sal na provável candidatura de Geraldo Alckmin, o fato de ele próprio já ter perdido uma eleição em 2006 e de, agora, estar estagnado nas pesquisas. Então, as pessoas deduzem: o PSDB não vence eleição. De fato, há um retrospecto de mais de uma década e problemas recentes a serem administrados que dificultam a vitória tucana.

Olha-se para Marina Silva (Rede). Ela foi bem em 2010, mas não conseguiu legenda para disputar em 2014. Vice de Eduardo Campos (PSB), herdou a candidatura com a morte dele. Chegou a ser dada como certa no segundo turno e parecia que venceria Dilma Rousseff (PT), Mas, foi alvo de duros ataques e questionamentos, aos quais não soube responder. Vacilante, ficou pelo caminho. Ao se observar o desempenho dela, muitos pensam que falta força e clareza nas convicções para vencer uma disputa presidencial. Pode ser.

Quando se fala de Ciro Gomes (PDT), logo se lembra de 2002, quando pareceu que ele poderia vencer. Uma sequência de gestos tresloucados e algumas declarações desastradas o jogaram no quarto lugar. O histórico recorrente de frases estabanadas criam a ideia de que, por melhor que esteja na campanha, ele vai acabar dizendo algo que vai inviabilizá-lo como candidato. Isso já aconteceu e, claro, pode se repetir.

No PT, não há alternativas viáveis a Lula. Fernando Haddad é muito querido em setores progressistas, mas levou uma surra desqualificante de João Doria (PSDB) em seu reduto eleitoral. Sai perdendo feio em São Paulo e não tem penetração em outras regiões. Por isso, petistas acenam com Jaques Wagner, que, pelo menos teria os votos na Bahia, maior colégio eleitoral do Nordeste. Matematicamente, talvez fosse o petista capaz de ter mais votos. Daí a vencer vai longo caminho.

Todos esses raciocínios fazem sentido. O problema é que alguém vai ter de ser eleito. Ainda precisa ter um presidente, nem que seja por eliminação.

Lula, por exemplo, já teve seu estigma. Chegou a sua quarta eleição, em 2002, com fama de pé-frio, que vinha de três derrotas seguidas, duas delas em primeiro turno. Criou-se a compreensão de que o eleitor não votaria em um ex-metalúrgico sem curso superior e fama de radical. Quando Lula foi eleito, ele aparou a barba, colocou terno, vinculou-se a rico empresário, com a bênção da Igreja Universal, fez carta para agradar investidores internacionais e abriu programa de televisão apresentando técnicos que o assessoravam. Foi finalmente eleito e se esqueceu a história de pé-frio.

Em outubro, caso Lula não possa mesmo ser candidato, ou alguma dessas máximas irá por terra, ou surgirá uma novidade. O tempo está curto para isso, mas tem gente querendo ser esse fator novo. Mas, o assunto fica para amanhã.

Publicado originalmente no portal O Povo Online