27 de janeiro de 2018

Açudes só terão recarga a partir de março

Apesar do anseio do cearense em ver o resultado das chuvas, o aporte significativo nos açudes do Estado só deverá acontecer em março. As precipitações da pré-estação não resultam em um aumento na recarga dos reservatórios de imediato.

O abastecimento hídrico atual é de 6,7% da capacidade total dos açudes, segundo resenha divulgada ontem pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).

Há um mês, o índice registrado era de 7,33%. Mesmo sem um impacto direto, a pré-quadra chuvosa é importante na preparação do solo para receber as precipitações do primeiro trimestre da quadra, que ocorre de fevereiro a abril. Ao final, janeiro deve acumular volume de chuvas um pouco abaixo da média histórica, de acordo com previsão da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

O balanço parcial, divulgado ontem, aponta que as chuvas deste mês no Ceará, até então, somam apenas 57,7 mm. O total é 41,5% menor que a média histórica, que é de 98,7 mm. O resultado deve se aproximar da média com precipitações nos próximos dias. Prognóstico anunciado esta semana pela Funceme aponta que as chances são de 40% para chuvas acima da média histórica no Estado. Sendo 35% e 25% a possibilidade de chuvas em torno e abaixo da média, respectivamente.

 “Antes de tudo, é preciso aguardar o início de fato da quadra chuvosa que, no Ceará, acontece de fevereiro a maio. As chuvas de pré-estação são importantes para saturar o solo. Isso porque as primeiras precipitações são normalmente absorvidas pelo solo seco”, esclareceu a Cogerh, por meio de nota.

“Importante ressaltar que chuva não implica necessariamente em aporte. Além de cair no lugar certo, tem de cair na intensidade adequada”, frisou, detalhando que as chuvas devem ainda se concentrar nas cabeceiras dos rios onde estão situados os 155 açudes monitorados pela companhia.
Os reservatórios são distribuídos em 12 bacias hidrográficas, cuja capacidade total é de 18,64 bilhões m³.

O açude Germinal, em Pacoti (Maciço de Baturité), é o único com mais de 90% da capacidade. Do total de reservatórios, 127 estão com volume abaixo de 30%. O Estado acumula 51 açudes em volume morto (quando a vazão de água é dificultada pelo baixo nível) e 22 secos.

No ano passado, os açudes recuperaram até o dia 27 de janeiro 15,49 milhões m³. Este ano, até ontem, a marca de água recebida nos reservatórios hídricos do Estado estava em 11,62 milhões m³. Nestes dois anos, o período registra ter ocorrido algum aporte em 16 açudes.

Com informações portal O Povo Online