22 de janeiro de 2018

“A melhora requer compromisso de todos” por José Maria Gomes Pereira

Vivemos talvez um dos períodos mais difíceis de nossa história, onde a sociedade busca o caminho mais curto para solução de seus conflitos, e não percebe que esse atalho prejudica de forma perigosa a nossa democracia.

Tempos onde se fala e se deseja justiça de acordo com a conveniência de cada lado, justiça essa, sem a devida obediência ao ordenamento legal, instrumento legítimo para se mediar os conflitos de todas as naturezas, e fugir a essa regra é a barbárie ou a desordem, pois os tribunais de exceção a muito foram banidos pela civilização moderna.

O que observamos hoje no Brasil, e cada vez mais reforçado nas redes sociais, é a disputa pelos diversos segmentos sociais da opinião contra a opinião, nenhuma discursão se aprofunda, cada segmento do tecido social defende a opinião a que ela se filia, isso sem discriminar lados, pois essa disputa da opinião também chegou às instituições legalmente constituídas.

Estamos deixando de lado as regras estabelecidas no ordenamento legal para impormos a vontade, o desejo, e, nos desvirtuando totalmente do que é moral e legal.

As pessoas não mais se respeitam, as instituições não agem mais de forma harmônica e independente, elas defendem apenas seus interesses corporativos, da mesma forma que nós, defendemos apenas os nossos próprios, o bem social deixou de ser o objetivo, e a organização da sociedade fica perigosamente ameaçada com esses métodos, e isso se comprova com a alta taxa de mortes violentas que refletem a incapacidade do Estado de proteger o cidadão, enquanto os tribunais do crime ao mesmo tempo que julga e executa a pena, também impõe a ordem nos seus locais de atuação, ou seja, uma total inversão na regra da organização estatal.

As decisões políticas são tomadas por interesses corporativos, chegando a se mudar a Constituição, e aqui cito a Emenda que legalizou a atividade da Vaquejada, um verdadeiro arranjo legal, pois bastou um parlamentar não gostar ou ser pressionado para mudar um dispositivo na Carta da Republica, ele muda.

As decisões judiciais que interferem nas prerrogativas de outros poderes, as interpretações as leis da maneira mais conveniente aquele que a interpreta, ou seja, cada um puxando a corda para o seu lado, e essa disputa de força alguém acaba ganhando, e tenho certeza não será a maioria.

Confesso que quando escrevo isso não acredito em melhoras, porém mantenho a FÉ, e isso não é uma leitura pessimista, é um ALERTA, pois a melhora requer compromisso de todos, e no momento atual, esse compromisso não se observa nem nas pessoas, nem nas instituições, então só nos resta esperar e contribuirmos com bons exemplos, dialogando, ouvindo, e respeitando a ordem legal.