22 de janeiro de 2018

Projeto Farmácia Viva valoriza o conhecimento popular em prol da saúde

A coordenadora do horto na UFC, Mary Anne Bandeira (Foto: Mateus Dantas)
A gente aprende que ouvir vem em primeiro lugar. E é assim, ouvindo, que se produz ciência no projeto Farmácia Viva, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Por meio do saber popular e dos usos das ervas medicinais, o programa acadêmico atua catalogando, distribuindo e ensinando o melhor preparo fitoterápico de cada erva. A premissa é dar de volta à comunidade o saber produzido por ela mesma.

“O primeiro passo para esses estudos científicos são os estudos etnobotânicos e etnofarmacológicos”, cita Mary Anne Bandeira, coordenadora do projeto Horto de Plantas Medicinais da UFC. As pesquisas consistem em, antes, saber quais plantas medicinais estão no arsenal terapêutico familiar, qual a parte da planta indicada, como as comunidades as usam, como se faz o chá, as doses utilizadas, entre outros conhecimentos.

Mary Anne salienta que, normalmente, esse tipo de trabalho é acompanhado por uma atividade de botânica. “Além de levar informações sobre o uso correto e o uso terapêutico de cada espécie, a certificação botânica é fundamental porque a gente sabe que as plantas se parecem bastante”, explica. Além da certificação de cada planta, ela conta que é feito um estudo das propriedades e da funcionalidade atribuída a ela no tratamento clínico.

O projeto, que nasceu em 1983 pelas mãos do farmacêutico-químico Francisco José de Abreu Matos, hoje conta com sede em quase todos os municípios do Ceará. Nos locais, além de espécies certificadas, são dadas informações corretas de uso e dosagem. “A gente leva à risca o que o professor Matos ensinou: antes de ensinar o uso correto dessas plantas, a gente observa o indivíduo que faz o uso, seu contexto social, econômico, de saúde... A gente nunca deve subestimar a sabedoria popular porque aí que está a grande riqueza”, ensina.

No Horto de Plantas Medicinais da UFC estão catalogadas 134 espécies. Destas, o Comitê Estadual de Fitoterapia selecionou 30 espécies que atendem com maior segurança e eficácia terapêuticas os dados epidemiológicos da população.

Além dos cheiros e cores, em um passeio rápido pelo horto é possível se deparar com diversas espécies que já fazem parte da cultura cearense: capim santo, boldo, alfavaca, malva santa, mastruz, colônia, anador e mais uma quantidade generosa de ervas com diversas funções fitoterápicas.

“Não é uma medicina de pobre, é uma medicina embasada pela comunidade científica”, defende Mary Anne. E conclui: “Se a comunidade tem acesso a essas informações e a esse material botânico vegetal, então ela tem um medicamento seguro na mão”.

Com informações portal O Povo Online