11 de novembro de 2015

"Ciro tem cara de novo, fala de novo, mas não é novo" por Guálter George

Faz sentido estratégico o claro esforço que Ciro Gomes desenvolve para tirar proveito do momento de muitas dúvidas que apresenta a política, especialmente a nacional.

O eleitor, e o cidadão brasileiro, anda à procura de uma novidade capaz de lhe devolver a esperança no País, no futuro e, até, na própria democracia. 

A questão é que cabem dúvidas, e muitas, em relação à possibilidade do ex-governador cearense vir a ser, de fato, um potencial beneficiário da polarização fraticida que hoje protagonizam petistas e tucanos, com seus coadjuvantes espalhados por siglas que assumiram caráter secundário na disputa insana pelo Poder instalada no Brasil dos últimos anos.

O fato de atualmente não ocupar cargo público é insuficiente para fazer de Ciro um estranho à política desgastada e aos partidos igualmente desgastados.

Sua longa e dinâmica trajetória de filiações partidárias, as duas barulhentas candidaturas à presidência da República, a produtiva passagem pelo ministério na primeira gestão de Lula e o medíocre desempenho como deputado federal pelo Ceará entre 2007 e 2010, enfim, o que junta de histórias na política faz dele, necessariamente, um sujeito geralmente identificado como vinculado ao tradicionalismo que o momento grave rejeita.

Apesar do discurso que continua de aparência moderna, da fluência que mantém a mesma firmeza e da qualidade inquestionável na oratória, Ciro é parte de tudo que está ai e dificilmente passaria incólume por uma condenação de caráter generalizadora.

Guálter George é jornalista e editor-executivo de Conjuntura do jornal O Povo Online