2 de novembro de 2015

Parada pela Diversidade celebra em Fortaleza todas as formas família

Multidão composta por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e heterossexuais tomou a Beira Mar (Fotos: Evilazio Bezerra)
Em meio ao clima de festa, o tema deste ano - “Retroceder jamais, somos famílias - exigimos Estado laico e direitos iguais” - a 16ª edição da Parada da Diversidade Sexual do Ceará realizada ontem (01/11), na Beira Mar, levantou as principais bandeiras do movimento, num ano em que se teme a possibilidade de retrocessos.

“Acho que a gente cumpriu o papel de denunciar o fundamentalismo religioso que avança nas casas legislativas de todo o País, reivindica o presidente do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), Francisco Pedrosa, entidade que organiza a parada desde a primeira edição. A estimativa era de 600 mil pessoas presentes. O jornal O POVO não conseguiu contato com a Polícia Militar para obter estimativa de público até o fechamento desta edição.

Madrinha da parada deste ano, a ex-prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenele celebrou a diversidade. “Há uma emoção muito forte, como se essa praia tivesse a simbologia da libertação. Daqui, onde Dragão do Mar disse não à escravidão, daqui deve sair nosso grito de igualdade, libertação e emancipação”.

Dos cinco trios elétricos vinha a trilha sonora que embalou o fim de tarde e noite adentro, com o funk de Anitta e Ludmilla, mas também o forró e os sucessos pop americanos. Do chão se viu poucas fantasias e acessórios. Quem levou criatividade atraiu a atenção. Com o salto de dez centímetros, a estilista e travesti Bianca Muniz, 32, chegou a 1,93m. Deve aparecer na rede social de mais de cem pessoas - quantidade de vezes em que foi fotografada com suas asas da borboleta “com as cores da diversidade”.

As críticas da professora Jéssica Gadelha, 24, indicaram a necessidade de mais segurança. “E cada vez mais vem um público motivado pela bagunça, pela farra, deixando de lado as lutas do movimento LGBT”, lamentou, em sua segunda parada. Para ela, “é preciso ter outros movimentos como esse para abordar o preconceito”, opinião compartilhada pela pensionista Afra Fialho, 64, mãe da ativista Lena Oxa. “Não devia ser só hoje”.

De Manaus, a assistente social Graça Prola, 63, veio passar o feriadão na capital cearense. Depois de um dia no Beach Park, chegou a tempo de apoiar a parada, sem se importar nenhum pouco com o barulho que invadiu o hotel da Beira Mar onde estava hospedada. “Já fui madrinha da parada gay de lá. É um evento que não é só glamour - é luta contra a discriminação e a homofobia”, defendeu.

Na multidão que seguiu avançando pela Beira Mar, não se viu cartazes ou faixas. Mas os beijos e afagos mandavam o recado: as regras de um estatuto não conseguem dar conta da infinitude de amores e paixões quem simplesmente acontecem.

Com informações O Povo Online