20 de junho de 2017

Alckmin admite saída da base de Temer a qualquer momento

Mesmo após diversas denúncias e escândalos de corrupção no governo, o discurso oficial do PSDB é de que ainda é necessário um “fato novo” para a legenda reavaliar se sai ou fica no governo. Internamente, porém, o debate se torna cada vez mais caloroso.

O governador Geraldo Alckmin afirmou ontem (19/06), em entrevista, que o partido pode deixar a base de Michel Temer a “qualquer momento” e que a sigla não tem compromisso com o PMDB, e sim com as reformas.

“Tem aqueles que querem sair imediatamente; aqueles que, assim como um casamento, é até que a morte dos separe; e a nossa posição, que é aguardar para completar as reformas, questão de 60, 90 dias. Podemos sair da base a qualquer momento”, disse.

O chamado “fato novo”, de acordo com o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB), pode ser o resultado da perícia que a Polícia Federal está fazendo no áudio gravado pelo empresário Joesley Batista em que registra uma conversa comprometedora com o presidente.

“Como se diz que houve indícios (de edição), não podemos ser irresponsáveis em não esperar a perícia oficial dar esse parecer sobre essas gravações”, argumenta.

A PF, no entanto, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) maior prazo para concluir o inquérito que investiga Temer e o ex-deputado Rocha Loures, também do PMDB.

O prefeito de São Paulo, João Doria, também disse ontem que o limite do apoio de seu partido ao governo Temer é “a culpabilidade”, e que este não deve ser “irrevogável” nem “interminável”.

“Se houver uma situação que implique o presidente Temer numa culpa flagrante, evidentemente que o PSDB deve reavaliar esse apoio. Mas enquanto isso o PSDB não pode precipitar um juízo, e jogar para o alto uma circunstância em que você tem que defender o Brasil”, disse.

Enquanto os “cabeças brancas” do PSDB atuam para manter o partido na base do governo, a juventude tucana (J-PSDB) levantou a bandeira do rompimento com o Palácio do Planalto no 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune).

Pela primeira vez em dez anos, a J-PSDB levou para Minas Gerais uma bancada de 148 delegados, o suficiente para garantir pelo menos uma vaga na diretoria da entidade.

Além do “Fora, Temer”, os tucanos defendem a realização de eleições diretas para presidente por meio da aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) e o afastamento definitivo do senador Aécio Neves da presidência do PSDB.

Com informações O Povo Online