24 de junho de 2017

Ciro ameniza fala de Camilo e volta a criticar Temer

Pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes minimizou ontem fala do governador Camilo Santana (PT) de que o ex-presidente Lula (PT) é “o grande nome” do PT e das esquerdas para ser candidato em 2018. 

Apesar de classificar opinião do petista como “natural”, o ex-ministro insinuou que Camilo teria feito a declaração para evitar polêmicas.

“Vejo com naturalidade. O Camilo é do PT, estava em uma reunião do PT. O que ele pode dizer se um jornalista pentelho tipo você chega e pergunta isso para ele? Vai dizer que não, que o candidato dele é o Ciro? Aí vai gerar uma polêmica”, disse Ciro, após participação em evento da Prefeitura de Fortaleza com ex-ministro Mangabeira Unger. Fala de Camilo, entretanto, foi espontânea, quando estava discursando em ato.

“O que eu posso dizer é que vou apoiar o Camilo para governador, e ele naturalmente vai saber o que fazer. A responsabilidade maior dele é governar o Ceará. Mas essa situação com o partido dele eu respeito e compreendo”, diz.

Em evento do PT em Fortaleza na quinta-feira, Camilo subiu em palanque com lideranças do partido e defendeu nome de Lula para 2018. No passado, ele chegou a receber críticas de correligionários por não apoiar incisivamente o petista e chegou a receber convites de outros partidos para deixar o PT.

Ciro Gomes também comentou acúmulo de crises em torno do presidente Michel Temer (PMDB), citado na última semana em depoimento do lobista Lúcio Funaro à Polícia Federal. Segundo o ex-ministro, o peemedebista só continua no cargo pois estaria utilizando da influência do cargo, “de forma republicana e de forma não republicana”.

“Ele transformou a Presidência da República em um bunker para garantir sua própria sobrevivência fora da cadeia. Isso é uma tragédia para um País que está precisando refletir sobre economia, sobre o desemprego em massa, sobre as mazelas da violência”, avalia.

O ex-ministro também elogiou decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) que fortalece instituto das delações premiadas no âmbito da Operação Lava Jato. “Está correto, em linha com a melhor legislação sobre o assunto”, disse.

Ele destaca, no entanto, que delações não podem, por si só, acarretar na condenação de pessoas citadas. “Você não pode condenar ninguém só porque um criminoso, que está atrás de receber atenuação da pena, a entregou. É preciso que a estrutura do Estado tome aquilo e transforme em provas”, afirma.

O ex-ministro também defendeu o irmão, o ex-governador Cid Gomes (PDT), acusado de articular propinas em delações da JBS. “Tem que apurar, acho que tem que apurar tudo. Mas é importante destacar que o próprio Cid, por exemplo, no dia seguinte às acusações, chamou entrevista coletiva e mostrou com documentos que nunca pediu um centavo para si”, diz.

“Mas não se pode confundir o caso do Cid, que foi citado e mostra documentos contestando, com gravações, como tem do Aécio Neves e do Michel Temer, acertando mala de dinheiro”.


Com informações O Povo Online